A indústria metalúrgica em Portugal está determinada a afirmar-se como um dos pilares da economia nacional, destacando-se pela inovação em vez de apenas competir pelo preço. Esta é a mensagem central da Conferência Anual da AIMMAP, agendada para o dia 27 de maio em Guimarães, em colaboração com o Jornal Económico. Rafael Campos Ferreira, vice-presidente executivo da Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal (AIMMAP), sublinha que o objetivo é mudar a narrativa do setor, enfatizando a importância de “vender valor”.
De acordo com Ferreira, o futuro da indústria metalúrgica não se baseia apenas no preço, mas na capacidade de oferecer conhecimento, inovação e soluções sustentáveis. “O setor pode desempenhar um papel decisivo na reindustrialização e no crescimento económico do país”, afirma. Essa transformação não é apenas teórica; a indústria está a deixar para trás uma abordagem centrada na produção e a posicionar-se como fornecedora de soluções tecnológicas e de engenharia.
A inovação é uma prioridade para as empresas do setor, que estão a investir em novos produtos e serviços. Ferreira destaca a Agenda Mobilizadora PRODUTECH R3, que envolve a AIMMAP e várias empresas do Metal Portugal, prevendo o lançamento de cerca de 85 inovações. Em 2025, o setor deverá atingir um novo recorde de exportações, com um volume de 24,2 mil milhões de euros, evidenciando a sua competitividade internacional.
No entanto, a indústria metalúrgica enfrenta desafios significativos, como a pressão sobre os custos energéticos e matérias-primas, a instabilidade geopolítica e a concorrência de mercados com custos mais baixos. Ferreira expressa preocupação com o acesso a matérias-primas, especialmente devido a políticas europeias que têm penalizado o setor. “Enquanto a Europa mantiver esta linha de atuação, a competitividade da indústria transformadora estará em risco”, alerta.
Apesar das dificuldades, a resiliência da indústria metalúrgica é notável. As empresas têm reagido positivamente, aumentando a produtividade e investindo em automação e digitalização. Ferreira observa que as oportunidades de crescimento estão a surgir em mercados que valorizam a qualidade e a fiabilidade, especialmente na Europa e em regiões com investimento em infraestruturas.
A sustentabilidade é outro pilar fundamental para a transformação do setor. Os empresários portugueses têm sido pioneiros na adoção de estratégias de eficiência energética e circularidade. Ferreira menciona o projeto CarbonFreeGuide4Metal, que visa capacitar as empresas na descarbonização e na redução da sua pegada carbónica.
A indústria metalúrgica em Portugal está, assim, a redefinir a sua posição no mercado global, focando-se na inovação e na sustentabilidade. Esta abordagem não só fortalece a competitividade do setor, mas também contribui para o desenvolvimento económico do país.
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Fonte: Sapo





