A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, fez um apelo esta quinta-feira para o fim do “controlo” e “isolamento” do povo cubano, que enfrenta uma grave crise económica e crescente pressão dos Estados Unidos. Durante uma conferência de imprensa na Cidade do México, Kallas sublinhou que “após décadas de má gestão e repressão política, a crise económica em Cuba está a atingir um verdadeiro ponto de rutura”.
A responsável europeia afirmou que “o povo cubano merece oportunidades e liberdade, não controlo e isolamento”. O seu discurso ocorreu no contexto da oitava cimeira entre a União Europeia e o México, onde a situação em Cuba foi um dos temas centrais. Kallas enfatizou a importância de garantir que a população cubana tenha o direito de decidir o seu futuro, destacando que a repressão política deve ser eliminada para que os cubanos possam ter as oportunidades que merecem.
O ministro dos Negócios Estrangeiros do México, Roberto Velasco, também se pronunciou sobre a crise cubana, reiterando a posição do seu país em favor da “solução pacífica dos conflitos” e da “autodeterminação dos povos”. Velasco afirmou que a posição do México é guiada pelos princípios da sua Constituição, que defendem a autodeterminação e a resolução pacífica dos conflitos.
Em resposta a perguntas dos jornalistas, Velasco não comentou a recente acusação de homicídio contra o antigo presidente cubano Raúl Castro, anunciada pelo Departamento de Justiça dos EUA. No entanto, ele destacou a importância de manter a cooperação humanitária, que permita ao povo cubano acesso a serviços básicos. “A ajuda humanitária é essencial para que tenham uma vida digna, como todas as pessoas merecem”, acrescentou.
A acusação contra Castro, que tem 94 anos e deixou a presidência em 2018, representa um novo passo na pressão sobre Cuba, intensificada desde a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Esta pressão inclui novas ameaças e o bloqueio da chegada de petróleo ao país, agravando a crise energética e humanitária em Cuba.
Os Estados Unidos têm pressionado Havana a implementar reformas económicas, ao mesmo tempo que mantêm um bloqueio que impede a chegada de petróleo bruto à ilha. Além disso, Washington ameaçou em várias ocasiões tomar o controlo de Cuba. O atual presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, reagiu à acusação contra Castro, considerando-a “uma ação política, sem qualquer base legal”, que visa justificar uma possível agressão militar.
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Fonte: ECO





