O sobreendividamento é uma situação que pode afetar qualquer pessoa ou família, e os sinais de alerta podem surgir antes mesmo de uma prestação ficar em atraso. Muitas vezes, esses sinais são confundidos com dificuldades temporárias ou despesas inesperadas. No entanto, quando o salário já não é suficiente para cobrir as despesas básicas ou quando o crédito começa a ser utilizado para pagar contas do dia a dia, é crucial agir rapidamente.
O sobreendividamento ocorre quando uma pessoa ou família não consegue cumprir os seus compromissos financeiros de forma equilibrada. Este problema pode resultar da acumulação de créditos, perda de rendimentos, doenças, separações ou aumento das prestações. Identificar os sinais precocemente é fundamental para evitar o incumprimento e encontrar soluções adequadas.
Um dos principais indicadores de sobreendividamento é a taxa de esforço, que representa a percentagem do rendimento líquido mensal utilizada para pagar prestações de crédito. Por exemplo, se uma família recebe 2.000 euros líquidos por mês e paga 900 euros em créditos, a taxa de esforço é de 45%. Idealmente, esta taxa deve ser inferior a 30%, pois valores superiores indicam uma margem financeira reduzida e um risco elevado de pressão financeira.
Outro sinal importante é quando o salário não chega até ao fim do mês. Mesmo que as prestações estejam a ser pagas, a falta de dinheiro para despesas essenciais, como alimentação ou saúde, é um alerta. Se a família se vê obrigada a recorrer a cartões de crédito ou a empréstimos informais para cobrir despesas básicas, é um sinal claro de que o orçamento está desequilibrado.
Usar crédito para pagar despesas correntes, como compras de supermercado ou contas, também é um sinal preocupante. Este comportamento transforma despesas que deveriam ser pagas com o rendimento mensal em dívida, aumentando a pressão financeira. Além disso, ter várias prestações pequenas que, juntas, pesam demasiado no orçamento pode ser um fator de risco. Muitas vezes, um conjunto de pequenas dívidas pode comprometer a saúde financeira de uma família.
Quando uma família começa a atrasar pagamentos ou a escolher quais contas pagar, isso indica um problema sério de liquidez. O atraso no pagamento de créditos pode resultar em juros de mora e complicações futuras no acesso a novos financiamentos. A falta de controlo sobre as dívidas é outro sinal comum de sobreendividamento. Muitas pessoas sabem quanto pagam mensalmente, mas não têm noção do total que devem.
Por fim, a ansiedade constante relacionada ao dinheiro é um dos efeitos mais prejudiciais do sobreendividamento. A preocupação com as finanças pode afetar a saúde emocional, tornando essencial procurar ajuda. Pedir apoio não é um sinal de fraqueza, mas sim uma forma de evitar que a situação se agrave.
Se perceber que pode falhar uma prestação, não hesite em pedir ajuda. Não é necessário esperar pelo incumprimento. Contactar a instituição de crédito ou entidades de apoio ao consumidor pode abrir portas a soluções como o PARI, que visa prevenir falhas de pagamento. Quanto mais cedo agir, mais opções terá para resolver a situação.
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Fonte: Doutor Finanças





