Novo regime da mobilidade elétrica gera incertezas em Portugal

Desde meados de 2022, Portugal implementou um novo regime da mobilidade elétrica, que coexistirá com o anterior até 2026. No entanto, a consultora PwC alerta que este novo modelo pode trazer incertezas sobre a continuidade do acesso universal à mobilidade elétrica. A análise da PwC, apresentada no estudo “A mobilidade elétrica em Portugal e o percurso de países europeus selecionados”, encomendado pela Goldenergy, destaca que a médio prazo, poderá haver um isolamento parcial das redes de carregamento elétrico.

O novo regime permite uma maior diferenciação de modelos de negócio e inovação nos serviços, mas também introduz variáveis que podem afetar o acesso universal. A PwC sublinha que a interoperabilidade, uma das principais vantagens do modelo anterior, pode não ser garantida no futuro. Esta mudança pode resultar numa rede de carregamento mais fragmentada, dificultando a comparação de preços e a mobilidade entre operadores.

Uma das alterações mais significativas do novo regime é o fim da obrigatoriedade da interoperabilidade. Agora, cabe aos operadores de pontos de carregamento (OPC) decidir se abrem ou fecham as suas redes a outros operadores, o que pode levar a uma escolha entre o isolamento das redes ou a formação de parcerias. Em 2025, Portugal contava com 136 OPC licenciados, com os cinco maiores a concentrar cerca de 68% das tomadas. A Galp liderava o mercado, seguida pela EDP Comercial e Powerdot.

A PwC prevê que, a curto prazo, a interoperabilidade universal poderá ser alcançada através de plataformas de roaming, dada a baixa taxa de utilização das tomadas e a necessidade de melhorar a experiência do utilizador. No entanto, a médio prazo, o cenário pode variar entre um isolamento parcial, com redes fechadas, ou uma integração mais ampla através de hubs.

O futuro da mobilidade elétrica em Portugal também depende de decisões políticas e incentivos governamentais. Se os incentivos aumentarem, a adoção de veículos elétricos poderá acelerar, justificando investimentos mais robustos por parte dos operadores. A eficiência dos processos de licenciamento e a rápida expansão da infraestrutura também são fatores cruciais que podem influenciar a concorrência no setor.

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Apesar das incertezas, a PwC destaca alguns avanços positivos na legislação, como a possibilidade de pagamentos ad hoc sem contrato prévio e maior transparência nos preços. A análise comparativa com outros países, como França e Espanha, revela que a interoperabilidade tem um impacto significativo na adoção de veículos elétricos. Enquanto França implementou a interoperabilidade obrigatória, resultando numa experiência de utilizador mais fluida, Espanha apresenta um mercado fragmentado, com menor transparência de preços.

A Alemanha, por sua vez, tem visto uma integração crescente entre operadores, mesmo sem a obrigatoriedade de interoperabilidade, o que sugere que a fragmentação pode ser superada através de colaborações estratégicas. O futuro da mobilidade elétrica em Portugal está, portanto, em aberto, e a forma como os operadores e o governo responderão a estas incertezas será determinante para o sucesso do setor.

Leia também: O impacto das políticas governamentais na mobilidade elétrica.

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Fonte: ECO

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