A mais recente edição do The Wealth Report, da consultora imobiliária Knight Frank, revela que o número de super-ricos, ou seja, indivíduos com patrimónios superiores a 30 milhões de dólares, aumentou significativamente nos últimos cinco anos. Em média, 89 novas pessoas atingiram este patamar diariamente, totalizando 713.626 super-ricos em 2026.
Os Estados Unidos continuam a ser o líder indiscutível na criação de riqueza, representando 41% dos novos super-ricos entre 2021 e 2026 e detendo atualmente 35% do total global. As previsões indicam que essa quota poderá subir para 41% até 2031. A China, embora ainda em segundo lugar, vê a sua quota a diminuir de 18% para 15% no mesmo período. Em contraste, a Índia destaca-se com um crescimento de 63% na sua população de super-ricos, que deverá chegar a quase 20.000 indivíduos.
Portugal também não ficou à margem deste fenómeno. O número de multimilionários no país aumentou de 1.462 em 2021 para 2.187 em 2026, o que representa um crescimento de quase 50%. As projeções indicam que este número poderá atingir 2.452 até 2031. Além disso, Portugal tem sido um destino atrativo para o capital proveniente do Reino Unido, especialmente após as alterações ao regime fiscal dos non-domiciled.
O relatório também destaca que, apesar do encerramento da via imobiliária no programa Golden Visa e a reformulação do regime do NHR, a procura internacional por Portugal deverá manter-se, embora possa ser moderada. O mercado imobiliário de luxo em Portugal continua a ser um dos mais dinâmicos da Europa, com o Porto a registar uma valorização de 8,5% em 2025, posicionando-se em 11.º lugar no ranking global.
No que diz respeito ao mercado de luxo, o Índice Internacional de Residências Prime (PIRI 100) da Knight Frank revelou uma valorização média de 3,2% nos preços do imobiliário de luxo em 2025. O Médio Oriente liderou este crescimento, impulsionado por Dubai, que viu os seus preços subir 25,1%. Por outro lado, Londres registou uma queda de 4,7%, resultado das novas regras fiscais que levaram muitos residentes ricos a procurar alternativas em cidades como Milão e Madrid.
Além disso, o relatório aponta para uma evolução nas family offices, que estão a transformar-se em plataformas de investimento mais sofisticadas. Os centros de dados emergem como um dos ativos mais procurados, impulsionados pelo crescimento da inteligência artificial.
Em suma, o The Wealth Report 2026 revela um panorama complexo e em constante mudança, onde os super-ricos estão a adaptar-se a um mundo mais fragmentado e volátil. Para os investidores, as oportunidades existem, mas a preservação e a gestão inteligente da riqueza são agora mais cruciais do que nunca. Leia também: O impacto das novas regras fiscais no mercado imobiliário.
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Fonte: Sapo





