Um estudo recente revela que quase três em cada quatro utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) realizaram, no último ano, pelo menos uma ação de prevenção, como análises clínicas e consultas de rotina. Esta informação faz parte do Índice de Saúde Sustentável 2025/26, desenvolvido pela Nova Information Management School (Nova IMS), que avalia anualmente a sustentabilidade do SNS, considerando diversos fatores, incluindo a capacidade de resposta e a prevenção.
De acordo com os dados, 73% dos utentes do SNS participaram em ações de prevenção. Entre aqueles que o fizeram, 67,8% procuraram o SNS para análises clínicas de rotina, 61,8% para check-ups e 50,6% para exames de diagnóstico preventivo. Além disso, cerca de um terço dos utentes (32%) recorreu ao setor privado para realizar ações preventivas.
O estudo também destaca a importância da prevenção para a sustentabilidade do SNS. O coordenador do estudo, Pedro Simões Coelho, explicou que a metodologia para calcular o índice de sustentabilidade foi atualizada para refletir a nova realidade do sistema de saúde, que agora deve incentivar a prevenção em vez de se concentrar apenas na produção de serviços. “Um sistema de saúde cuja despesa tem vindo a crescer deixará de ser sustentável, a prazo, se não apostar na prevenção”, afirmou.
A nova componente do índice, que foca na prevenção, trouxe uma surpresa positiva. Simões Coelho destacou que a prevenção obteve uma pontuação elevada, quase 65 pontos em 100, sendo o segundo maior indicador, apenas atrás da qualidade. Esta evidência reforça a ideia de que a prevenção é um dos principais pontos fortes do SNS.
O especialista acredita que a aposta na prevenção é crucial para que o SNS consiga sair de um ciclo de crescimento de despesa e de atividade anémica. Contudo, os dados também revelam que os principais pontos fracos do SNS são o acesso, a capacidade de resposta assistencial e a sustentabilidade financeira, que estão sob pressão devido ao aumento das despesas.
Simões Coelho sublinhou que o futuro do SNS deve estar centrado na prevenção, que deve ser acompanhada de inovação. Para isso, é necessário dar um salto para uma abordagem mais personalizada, utilizando dados e ferramentas analíticas de forma mais eficaz.
Apesar das dificuldades, a maioria dos utentes considera que o preço do SNS é adequado, com apenas 12% a achar que as taxas moderadoras são desadequadas. No entanto, a percentagem de utentes que não compraram medicamentos devido ao preço aumentou ligeiramente, atingindo os 12%.
Os profissionais de saúde continuam a ser vistos como o ponto forte do SNS, enquanto os tempos de espera e o acesso aos cuidados são considerados os principais pontos fracos, indicando áreas que precisam de uma atenção prioritária.
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Fonte: Sapo





