Crescimento do setor de livros e jornais em Portugal atinge 1.282 milhões

O setor de livros, jornais e revistas em Portugal apresenta um crescimento significativo, com o volume de negócios a atingir 1.282 milhões de euros em 2024, um aumento em relação aos 1.241 milhões de euros do ano anterior. No entanto, este crescimento vem acompanhado de desafios, especialmente no que diz respeito à renovação empresarial e à estrutura do mercado.

De acordo com dados da Iberinform, o setor é dominado por microempresas, que representam 93% do total das entidades operantes. Apenas 7% correspondem a pequenas empresas, o que revela uma forte atomização do mercado. Embora estas microempresas tenham demonstrado resiliência a nível local, estão mais vulneráveis a flutuações de consumo e a pressões sobre as margens de lucro.

A longevidade das empresas no setor é um indicador preocupante. Cerca de 31% das empresas ativas operam há mais de 25 anos, enquanto 25% têm entre 16 e 25 anos de atividade. Isso significa que mais de metade do tecido empresarial ultrapassa os 16 anos de existência. Em contrapartida, as novas entradas no mercado são escassas, com apenas 4% das empresas a ter menos de um ano, o que indica uma fraca taxa de renovação.

Em termos financeiros, o setor apresenta estabilidade nas obrigações a fornecedores, com um prazo médio de pagamento de 41 dias. O prazo médio de recebimento, por sua vez, aumentou ligeiramente de 22 para 23 dias, o que pode introduzir uma pressão marginal na gestão de tesouraria. Apesar disso, a atividade comercial continua a expandir-se.

A taxa de exportação do setor de livros e jornais registou uma leve variação positiva, passando de 10,2% para 10,6%, o que reforça o caráter predominantemente doméstico do negócio e a sua limitada dependência dos mercados internacionais.

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No que diz respeito ao risco de incumprimento, o perfil do setor é maioritariamente sólido, com 54% das entidades classificadas em risco baixo e 35% em risco médio. Contudo, 11% das empresas enfrentam um risco elevado, o que alerta para vulnerabilidades estruturais em face das mudanças nos hábitos dos consumidores. Geograficamente, o setor está concentrado em áreas urbanas, com Lisboa a concentrar 29% dos operadores e o Porto 19%.

A Iberinform destaca que o mercado de venda retalhista de material livreiro e publicações periódicas combina uma base operacional historicamente estável com desafios estruturais, como a falta de substituição geracional e a predominância de microestruturas. Estes fatores exigem uma monitorização constante, especialmente face à lenta transformação dos hábitos de consumo de conteúdos.

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Fonte: Sapo

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