Endividamento da construção e imobiliário atinge máximos desde 2013

O endividamento das empresas do setor da construção e imobiliário atingiu, em março, o valor mais elevado desde novembro de 2013, quando Portugal enfrentava a intervenção da troika. Este aumento é atribuído ao dinamismo do setor, que continua a responder à elevada procura por habitação, exigindo mais investimento para suprir a necessidade de novas casas. Apesar do crescimento do endividamento, economistas asseguram que não há riscos significativos de sobrecarga financeira.

De acordo com dados do Banco de Portugal, o endividamento das empresas não financeiras da construção e imobiliário cresceu 6,41% em relação ao ano anterior, totalizando 58.256,77 milhões de euros. Este valor representa um aumento em comparação com os 57.930,50 milhões de euros do mês anterior e os 56.399,72 milhões de euros do mesmo período do ano passado. Teresa Gil Pinheiro, analista financeira do BPI, destaca que o endividamento do setor subiu para 58,8 mil milhões de euros, um aumento de 0,3% face a 2013 e de 12,6% em relação a 2019.

O setor da construção e imobiliário tem demonstrado um crescimento robusto, com um aumento real anual de 3,4% desde 2019, em contraste com o crescimento de 1,8% do valor acrescentado bruto (VAB) da economia como um todo. Teresa Gil Pinheiro salienta que a evolução do endividamento, quando analisada em conjunto com a atividade do setor e os seus rácios económico-financeiros, sugere uma trajetória saudável e sustentável.

Embora o stock de dívida tenha voltado a níveis semelhantes aos de 2013, o seu peso na economia é agora consideravelmente menor. Em 2013, a dívida do setor representava quase 35% do PIB, que era de 170 mil milhões de euros. Atualmente, com um PIB estimado em 306 mil milhões de euros, este peso caiu para 19%. Paulo Monteiro Rosa, economista do Banco Carregosa, sublinha que a atual subida do endividamento reflete um contexto económico muito diferente do de 2013, onde a tendência era de contração.

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A necessidade de mais habitação, impulsionada pelo aumento da população residente e pela imigração, tem levado as empresas do setor a recorrer mais ao crédito para financiar novos projetos. Paulo Rosa explica que o setor imobiliário opera com elevados níveis de alavancagem, o que significa que parte do aumento do endividamento não é necessariamente um sinal de deterioração financeira, mas sim um reflexo de maior atividade económica.

Os economistas alertam, no entanto, para a necessidade de monitorizar o crescimento do endividamento, especialmente com as taxas de juro em níveis elevados. Uma desaceleração económica ou correções no mercado imobiliário poderiam pressionar as empresas mais alavancadas. Filipe Garcia, economista da IMF, destaca que a procura no setor continua a aumentar, com os preços do imobiliário a subir e a oferta a não acompanhar a demanda.

Com a recente implementação de medidas fiscais para a habitação, especialistas acreditam que estas poderão impulsionar ainda mais o setor e a procura por financiamento. As alterações no IRS e os benefícios fiscais para a construção podem estimular a compra de casas e o lançamento de novos projetos, o que é crucial num contexto de escassez de oferta.

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Fonte: ECO

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