Hotéis nos EUA perdem clientes para o Airbnb durante o Mundial

Durante o Mundial de Futebol, muitos adeptos optaram por ficar em alojamentos do Airbnb em vez de hotéis, o que levou a uma diminuição nas reservas hoteleiras em várias cidades dos Estados Unidos. De acordo com o Financial Times, a oferta de alojamentos de curta duração aumentou significativamente, com mais de 52 mil novas listagens a serem registadas nas cidades anfitriãs, representando um crescimento de 12% em comparação com o ano anterior, segundo a AirDNA.

Os dados revelam que, apesar de os hotéis terem elevado as suas tarifas em média 20%, a taxa de ocupação não correspondeu às expectativas. Aran Ryan, da consultora Tourism Economics, indicou que muitos adeptos, mais sensíveis aos preços, preferiram as opções do Airbnb. Este fenómeno pode ser atribuído à estratégia da plataforma, que incentivou proprietários a disponibilizarem as suas casas, oferecendo bónus de 750 dólares para aqueles que recebessem hóspedes antes do final de julho.

Laura Hawkins, uma proprietária de Atlanta, decidiu colocar o seu apartamento na Airbnb após a saída de um inquilino, investindo 500 dólares em melhorias. “Mesmo que ganhemos menos do que com um inquilino a longo prazo, o bónus cobre os custos”, afirmou. Jennifer Smith, anfitriã na Airbnb em Dallas, relatou um aumento de 78% nas receitas durante o Mundial em comparação com o mesmo período de 2025, o que atribui às ferramentas de preços dinâmicos da plataforma.

Em Kansas City, onde se realizaram seis jogos, os preços médios dos alojamentos de curta duração subiram 63% em relação a junho do ano passado, mesmo com a oferta quase a duplicar. Em contrapartida, os hotéis da cidade viram a sua taxa de ocupação cair 8,5 pontos percentuais. Richard Clarke, da Bernstein, comentou que, embora o Mundial tenha sido benéfico para os hotéis em termos de preços, a ocupação não acompanhou essa tendência. Os hotéis de luxo, em particular, beneficiaram com a presença de delegações com orçamentos elevados.

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Vijay Dandapani, da Associação Hoteleira de Nova Iorque, revelou que a previsão de receitas líquidas para os hotéis da cidade durante o Mundial caiu para cerca de 160 milhões de dólares, metade do que era esperado inicialmente. Dandapani acredita que os adeptos estão a reduzir despesas com alojamento devido aos altos preços dos bilhetes e dos custos de transporte. “Os preços não transmitiram uma mensagem de boas-vindas”, lamentou.

O Financial Times já tinha reportado que os hotéis foram forçados a baixar tarifas antes do torneio devido à procura fraca. A Airbnb agora enfrenta o desafio de manter os novos anfitriões na plataforma após o Mundial. Bram Gallagher, da AirDNA, observou que a maioria das novas listagens de alojamento de curta duração está disponível fora das datas do torneio. Ellie Mertz, da Airbnb, destacou que, após os Jogos Olímpicos de 2024 em Paris, mais de metade das listagens criadas para o evento foram mantidas.

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Fonte: Sapo

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