A crise habitacional em Portugal continua a ser um dos problemas mais prementes do país. Apesar de algumas melhorias, a situação permanece complexa e cheia de constrangimentos que dificultam uma solução eficaz. Em 2025, foram construídas apenas 26 mil novas casas, um número que, embora seja o mais elevado desde 2010, ainda está longe de ser suficiente para atender à demanda crescente.
Nos últimos 15 anos, o país ergueu apenas 247 mil fogos, comparado com os 521 mil construídos entre 2003 e 2010. A lentidão nos licenciamentos e a escassez de mão de obra são dois dos principais obstáculos que o setor da construção enfrenta. O governador do Banco de Portugal tem apelado à necessidade de aumentar a oferta, mas a realidade é que, mesmo com um aumento de 14% nos licenciamentos, a construção de apenas 2,6 fogos por edifício não é suficiente para resolver a crise habitacional.
Além da falta de oferta, os custos de construção também têm aumentado. Dados do Eurostat mostram que Portugal ocupa a 7.ª posição em termos de aumento de custos, com uma subida de 4%. A procura externa por habitação tem contribuído para agravar a situação. Em 2019, havia 41 mil Residentes Não Habituais, mas em 2024 esse número triplicou para 129 mil. A imigração e os vistos gold também têm um impacto significativo no mercado imobiliário.
As tentativas do governo para mitigar a crise habitacional têm sido variadas, incluindo restrições a estrangeiros, incentivos à construção e benefícios fiscais. No entanto, os resultados têm sido limitados. O aumento dos preços das casas tem sido explosivo, com um crescimento de 17,6% em 2025, o maior aumento de sempre. Este crescimento desproporcional em relação aos rendimentos dos cidadãos é alarmante. O Relatório de Estabilidade Financeira revela que o rácio entre os preços da habitação e os rendimentos atingiu 141,3% no último trimestre de 2025, o nível mais elevado em três décadas.
Uma das questões que surge é se as regras para o crédito à habitação devem ser mais rigorosas. Apesar de algumas medidas terem sido implementadas, como a garantia pública para jovens, que resultou em mais de 30 mil contratos assinados, a procura externa por habitação tem diminuído, sugerindo que os portugueses estão a assumir um papel mais ativo no mercado.
O peso dos novos créditos na totalidade das transações também tem aumentado, subindo de 32,5% para 53,6% no final de 2023. Embora a dívida das famílias esteja a aumentar, a taxa de poupança dos portugueses continua elevada, o que não indica uma crise imediata. Contudo, o governador do Banco de Portugal alertou para a necessidade de precauções, especialmente se surgirem fatores adversos, como um aumento do desemprego ou das taxas de juro.
A solução para a crise habitacional passa, segundo o governador, por aumentar a oferta de habitação. No entanto, a implementação de medidas eficazes pode demorar, e a penumbra que envolve o setor habitacional poderá persistir por mais algum tempo.
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crise habitacional Nota: análise relacionada com crise habitacional.
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Fonte: Sapo





