Portugal avança no financiamento de startups, mas desafios persistem

Nos últimos anos, o financiamento de startups em Portugal tem sido um tema central de discussão entre investidores, gestores e decisores públicos. Apesar dos avanços significativos no ecossistema nacional, as empresas em fases intermédias de crescimento ainda enfrentam desafios que precisam de ser abordados. Durante uma talk da Proença de Carvalho Advogados, inserida na 9ª edição da Advocatus Summit, especialistas debateram a evolução do mercado de capital de risco e a possível existência de um “missing middle” entre o venture capital e o private equity.

Marco Neves, presidente da Portugal Ventures, destacou que a transformação do mercado português começou há cerca de 14 anos, com a criação da Portugal Ventures e a consolidação de incubadoras e aceleradoras. Este processo tem sido crucial para atrair talento internacional e posicionar Portugal como um destino atrativo para startups. A Web Summit e personalidades como João Vasconcelos foram mencionados como fatores determinantes para esta afirmação no setor.

Apesar dos progressos, Marco Neves alertou para a persistência de uma falha de mercado nas fases iniciais de desenvolvimento das empresas, especialmente nos estágios pre-seed e seed. Estes investimentos são considerados de elevado risco, uma vez que muitas vezes os projetos ainda não têm um produto validado ou uma base de clientes sólida. Para colmatar estas lacunas, Neves defendeu a necessidade de intervenção pública através de iniciativas como as calls Inove ID e mecanismos de coinvestimento, que podem apoiar ideias inovadoras até que estejam prontas para atrair investidores privados.

Nas fases posteriores de crescimento, o cenário é mais otimista. Neves referiu que o mercado português conta atualmente com mais operadores de capital de risco e instrumentos de financiamento do que há uma década, beneficiando também do apoio do Banco Português de Fomento. Ele rejeitou a ideia de que ainda exista um vazio significativo entre o venture capital e o private equity, afirmando que vários programas públicos e fundos especializados têm contribuído para colmatar essa lacuna. No entanto, sublinhou que o Estado deve atuar apenas onde existem falhas de mercado e não competir com investidores privados.

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Outro ponto importante discutido foi a necessidade de aumentar a escala do mercado português de capital de risco. Marco Neves afirmou que o principal desafio já não é a disponibilidade de financiamento, mas sim a dimensão dos fundos. Enquanto em Portugal um fundo de 100 milhões de euros é considerado grande, em outras geografias europeias e internacionais, os montantes movimentados são significativamente superiores. A capacidade de atrair capital de investidores institucionais internacionais e de entidades como o Banco Europeu de Investimento é vista como crucial para financiar empresas com ambições globais e fomentar a criação de novos unicórnios nacionais.

Durante a conversa, os participantes também abordaram setores estratégicos para o futuro do investimento em Portugal. Áreas como defesa, ciências da vida, deep tech, digitalização e turismo foram destacadas como prioritárias para a Portugal Ventures, que visa reforçar a sua presença tanto nas fases iniciais como no crescimento das empresas. Para transformar o ecossistema nos próximos anos, Marco Neves enfatizou a importância da estabilidade. A previsibilidade fiscal, regulatória e política é, na sua opinião, o elemento mais relevante para atrair investimento estrangeiro e consolidar a posição de Portugal como um destino competitivo para o capital de risco.

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Fonte: ECO

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