O responsável pela área de ações de mercados emergentes da gestora de ativos Schroders, Tom Wilson, afirmou que os mercados financeiros “não parecem estar a precificar um encerramento prolongado” do Estreito de Ormuz. Este estreito é uma passagem vital para o transporte de petróleo, e Wilson alerta que, quanto mais tempo permanecer fechado, “maiores e mais visíveis” serão os danos económicos resultantes.
A China, como principal cliente do crude iraniano, poderá ter um papel importante na mediação de um acordo. Wilson sugere que a China tem interesse em evitar um stress económico global que poderia advir de um encerramento prolongado do Estreito. Na ausência de um acordo formal, é possível que se estabeleça um entendimento para permitir o trânsito através do Estreito, talvez com a cobrança de portagens. No entanto, isso não garantirá a normalização total e poderá manter os prémios de risco devido a preocupações sobre a sustentabilidade da situação.
Wilson destaca que o Irão vê-se numa “posição de vantagem” com o encerramento do Estreito. Embora as suas exportações de crude estejam limitadas por sanções dos Estados Unidos, o país “está disposto a esperar mais” do que os EUA para a reabertura do Estreito. A Schroders acredita que a procura de energia a curto prazo se manterá elevada, especialmente com a necessidade de reconstruir os estoques.
Num horizonte mais longo, a oferta de petróleo poderá ser afetada pela saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP e pelo possível alívio das sanções ao Irão, que poderia aumentar a sua produção e exportações. Wilson explica que, neste momento, uma combinação de mudanças nas fontes de energia e a redução dos estoques comerciais têm moderado o impacto imediato nos mercados energéticos, limitando os aumentos de preços.
Contudo, ele alerta que a redução dos estoques comerciais não poderá durar para sempre, podendo esgotar-se “potencialmente” em julho. Além disso, a interrupção no fornecimento de fertilizantes e o aumento dos custos de produção deverão elevar a inflação alimentar, embora com algum atraso. Os mercados podem estar a ignorar o stress económico a curto prazo, focando-se na possibilidade de um acordo e na normalização, mas a inflação poderá surpreender, resultando num choque mais severo na oferta de energia.
Wilson também menciona que tanto os EUA quanto o Irão parecem não querer retomar um conflito armado. O cessar-fogo tem-se mantido, apesar de ações militares intermitentes. Os EUA estão preocupados com os danos económicos globais que um encerramento prolongado do Estreito poderia causar, enquanto o Irão procura garantir a sobrevivência do seu regime.
A possibilidade de um acordo é real, e este poderia envolver compromissos sobre a suspensão do enriquecimento nuclear em troca da libertação de fundos sancionados e do alívio futuro das sanções. Este acordo poderia refletir elementos do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA) original, embora qualquer entendimento necessite de abordar a falta de confiança mútua existente.
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Estreito de Ormuz Estreito de Ormuz Estreito de Ormuz Estreito de Ormuz Nota: análise relacionada com Estreito de Ormuz.
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Fonte: Sapo





