Portugal tem uma relação intrínseca com o mar, que se reflete na sua história, identidade e economia. O turismo, em particular, utiliza o oceano como um dos seus principais atrativos, prometendo experiências únicas e diferenciadoras em comparação com outros destinos. No entanto, é crucial que esta ligação se traduza também em ações concretas para proteger o oceano, que é fundamental para a sustentabilidade do setor.
A saúde dos ecossistemas costeiros e marinhos é essencial para a atratividade turística do país. Infelizmente, muitos ainda consideram estes recursos como abundantes e inesgotáveis, uma crença que já não se sustenta. A erosão costeira, a perda de biodiversidade e os efeitos das alterações climáticas estão a afetar não só os territórios, mas também as comunidades e as empresas que dependem do turismo.
Diante deste cenário, a questão não é apenas reconhecer a dependência do turismo em relação ao oceano, mas também entender como agir em face dessa realidade. O relatório da WWF, intitulado “Towards nature positive for the ocean”, oferece uma visão global sobre esta problemática. A WWF Portugal adaptou este trabalho ao contexto nacional, focando no turismo costeiro e marinho, especialmente na hotelaria. O documento sublinha que a qualidade dos ecossistemas costeiros e marinhos é vital para garantir um turismo seguro e resiliente.
A qualidade do ambiente marinho é medida por diversos fatores, como a preservação de praias protegidas por dunas, a existência de sapais que previnem inundações e a manutenção de águas limpas. Se estes ecossistemas falharem, a promessa turística de conforto e autenticidade também se perderá.
É necessário mudar a abordagem do setor. A pergunta que deve ser colocada não é apenas como minimizar os impactos negativos, mas sim como proteger e valorizar os recursos naturais dos quais dependemos. Isso implica decisões concretas, como evitar construções em habitats sensíveis, reduzir a pressão sobre as dunas e investir em soluções baseadas na natureza. Além disso, é fundamental orientar os visitantes para um turismo mais sustentável e apoiar a economia local através da compra de produtos regionais.
Nos locais onde os ecossistemas já foram degradados, é imperativo recuperar as funções naturais e restaurar a qualidade ecológica do território. O setor do turismo deve, portanto, assumir um papel ativo no financiamento da recuperação da natureza.
Proteger o oceano não significa restringir o turismo, mas sim assegurar que este continue a ser uma atividade de qualidade e com futuro. A verdadeira oportunidade reside em transformar a dependência em reciprocidade: reconhecer que o oceano sustenta o turismo e, ao mesmo tempo, fazer do turismo uma força ativa na sua proteção e recuperação.
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Fonte: Sapo





