A perda de natureza é um desafio económico e social

Na semana em que se celebra o Dia Mundial do Ambiente, é crucial refletir sobre a perda de natureza e o seu impacto, que vai muito além da esfera ambiental. Segundo o Living Planet Index da WWF, as populações de espécies selvagens monitorizadas diminuíram 73% entre 1970 e 2020. Este dado alarmante revela que a perda de natureza é um tema económico e social, pois não estamos apenas a perder biodiversidade, mas também recursos essenciais para a economia e o bem-estar humano.

A Comissão Europeia identificou 30 matérias-primas críticas (MPC), que são fundamentais para a economia e apresentam riscos de fornecimento. Entre estas, a cortiça natural foi acrescentada pelo projeto eMaPriCe, destacando a sua importância estratégica para Portugal. Assim, a perda de natureza não é apenas uma questão de conservação, mas também uma questão de sustentabilidade económica.

Para enfrentar estes desafios, foi estabelecido o objetivo global Nature Positive, que visa travar e reverter a perda de natureza até 2030, com base nos valores de 2020, e alcançar uma recuperação total até 2050. Isso implica que, até 2030, devemos ter mais natureza do que em 2020, com a recuperação a continuar a partir desse ano. Este compromisso, juntamente com o Acordo de Kunming-Montreal e regulamentos como a Lei do Restauro da Natureza, sublinha a importância política e legal da perda de natureza, semelhante à meta de 1,5 ºC do Acordo de Paris.

Um dos principais obstáculos para contrariar a perda de natureza é a falta de financiamento. Embora haja recursos disponíveis, a verdade é que a maior parte está a ser direcionada para atividades que prejudicam a natureza. Estudos recentes indicam que apenas cerca de 20% do financiamento necessário é investido na expansão de áreas protegidas, conservação de ecossistemas e na gestão sustentável de recursos naturais. O setor privado tem um papel significativo, investindo 149 vezes mais na degradação da natureza, o que pode resultar em perdas de quase 3 biliões de dólares por ano.

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Por outro lado, o Fórum Económico Mundial estima que uma economia nature positive pode gerar mais de 10 biliões de dólares anualmente e criar 395 milhões de empregos até 2030. Isso demonstra que um investimento robusto e estruturado na natureza pode trazer um retorno 229 vezes maior. Além disso, instituições financeiras estão a reconhecer a relevância da perda de natureza, integrando-a nos seus portefólios, uma vez que a consideram um risco financeiro significativo. O Banco Central Neerlandês, por exemplo, já considera a perda de natureza como um risco financeiro sistémico, refletindo essa preocupação nas suas decisões de investimento.

Em suma, a perda de natureza é um tema que transcende o ambiental, sendo uma questão económica e social de grande relevância. Assim, fica o desafio: porque não discutir este assunto em outras efemérides, especialmente aquelas que não são ambientais? Leia também: O impacto das matérias-primas críticas na economia.

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Fonte: ECO

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