Bizgital: a transformação necessária para o futuro das empresas

Em 1997, a Kodak era um gigante da indústria fotográfica, empregando cerca de 140 mil pessoas. Hoje, em 2026, a NVIDIA vale centenas de vezes mais do que a Kodak alguma vez valeu, com menos de metade dos seus trabalhadores, focando-se na inteligência computacional, um ativo que, há apenas duas décadas, parecia irrelevante. Esta comparação vai além da tecnologia; é uma reflexão económica sobre a evolução do valor no mercado.

Durante mais de um século, as empresas mais valiosas construíram riqueza através de ativos físicos e economias de escala. Contudo, os mercados financeiros estão a enviar uma mensagem clara: as organizações mais valorizadas são aquelas que dominam dados, algoritmos e inteligência artificial. A transformação digital não é apenas uma questão de modernização; é uma reavaliação do modelo de negócio. Muitas empresas digitalizaram processos e modernizaram sistemas, mas mantiveram a lógica industrial que as definiu durante décadas.

A diferença entre modernizar e transformar é crucial. Modernizar significa tornar algo mais rápido ou mais barato, enquanto transformar implica questionar a relevância do que já existe. Muitas empresas, ao digitalizarem-se, mantiveram-se organizadas por silos e hierarquias, utilizando indicadores de desempenho que não refletem a nova realidade económica. O contexto competitivo mudou, e o valor agora reside na experiência do cliente e na capacidade de aprender com dados.

Os mercados financeiros perceberam esta mudança antes de muitas organizações. A valorização de empresas como Microsoft, NVIDIA e Amazon demonstra que os investidores acreditam que o futuro crescimento económico será impulsionado pela inteligência artificial. O capital está a migrar das empresas que apenas utilizam tecnologia para aquelas que a transformam em vantagem competitiva.

Um dos maiores desafios nesta transformação é a liderança. A mudança radical exige líderes com literacia digital que compreendam as tendências tecnológicas e os seus impactos. Sem essa literacia, as empresas correm o risco de subestimar a velocidade da mudança ou de investir em tecnologia sem uma verdadeira transformação do negócio, resultando em perda de competitividade.

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A verdadeira transformação requer uma reavaliação do modelo de negócio. À medida que a inteligência artificial avança, a arquitetura do negócio deve evoluir. Os processos tornam-se dinâmicos, e as cadeias de valor transformam-se em redes. Contudo, o maior obstáculo é cultural. As organizações foram formadas para proteger o legado e minimizar riscos, enquanto a transformação exige desaprender e aceitar a reinvenção contínua.

A questão não é apenas sobre que tecnologia adotar, mas sobre que tipo de organização precisamos ser num mundo onde a inteligência é omnipresente. As empresas que entenderam esta lógica não se limitaram a melhorar a eficiência; redefiniram mercados e transformaram produtos em plataformas. A alternativa de continuar a otimizar margens pode ser confortável, mas é perigosa, como demonstram os exemplos da Kodak e da Blockbuster.

Se a sua organização fosse criada hoje, com acesso a tecnologias modernas, seria desenhada da mesma forma que há vinte ou trinta anos? Se a resposta for negativa, a transformação ainda não ocorreu. O verdadeiro salto exige alinhar estratégia, tecnologia, dados e cultura de forma integrada.

No fim, a questão é estratégica. As empresas falham não por falta de eficiência, mas por se tornarem excessivamente eficientes em algo que já não é relevante. A integração entre negócio e tecnologia é o que se chama Bizgital (Business + Digital Transformation). O maior risco para qualquer empresa não é a falta de tecnologia, mas sim continuar a aperfeiçoar um modelo de negócio que pertence ao passado. O mercado recompensa quem constrói o futuro, não quem melhora o passado.

Leia também: A importância da literacia digital nas empresas modernas.

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Fonte: Sapo

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