Europa quer liderar a soberania tecnológica e da IA

A vice-presidente da Comissão Europeia, Henna Virkkunen, sublinhou a importância da liderança europeia em inovação tecnológica, afirmando que “aqueles que liderarem a inovação tecnológica irão definir o futuro”. Esta declaração surge no contexto do lançamento de um pacote de quatro propostas que visam reforçar a soberania tecnológica da União Europeia, especialmente no que diz respeito à inteligência artificial (IA). A Europa enfrenta uma clara dependência de fornecedores norte-americanos e chineses, o que levanta preocupações sobre a sua autonomia.

As propostas da UE abrangem várias áreas, incluindo chips, computação em nuvem, desenvolvimento de IA, data centers e o setor energético. Estas medidas não só visam a inovação, mas também a segurança do continente, dado que a IA está a ser cada vez mais utilizada em operações de defesa. Por exemplo, a empresa Palantir tem desempenhado um papel significativo na identificação de alvos em conflitos, como demonstrado no caso do Irão. O pacote da UE menciona a necessidade de promover infraestruturas computacionais seguras para o treino e implementação de sistemas de IA relacionados com a defesa.

No entanto, o caminho para a soberania tecnológica não é linear. Países como os Países Baixos estão a trabalhar em alternativas à Palantir, com o secretário de Estado da Defesa a afirmar que uma solução completa estará disponível em dois anos. Ao mesmo tempo, a Anthropic, uma empresa de IA, está a colaborar com a Agência da União Europeia para a Cibersegurança (ENISA), fornecendo acesso ao seu modelo Claude Mythos. Este modelo também está a ser utilizado em colaboração com a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) para desenvolver capacidades ofensivas em cibersegurança.

Em abril, o Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS) em Portugal já tinha alertado para a necessidade de monitorizar a evolução do Claude Mythos, enfatizando a importância de processos coordenados para a gestão de vulnerabilidades em sistemas informáticos. A crescente sofisticação destes modelos de IA exige uma resposta rápida e eficaz por parte das entidades responsáveis.

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As propostas da UE também incluem o “Cloud and AI Development Act”, que pretende triplicar a capacidade de data centers na Europa nos próximos sete anos. Este ato estabelece um quadro para avaliar a soberania em cloud e IA, semelhante ao que foi implementado pelo Governo português no seu Plano Nacional de Nuvem Soberana. Este plano visa desenvolver uma infraestrutura nacional de nuvem que inclua capacidades de IA soberana, garantindo que a Europa tenha controle sobre os seus dados.

É importante lembrar que a soberania tecnológica não se resume apenas a infraestruturas. O CLOUD Act, aprovado nos EUA em 2018, permite que as autoridades americanas acessem dados de empresas sob a sua jurisdição, mesmo que os servidores estejam localizados fora do país. Isso ressalta a necessidade de a Europa construir uma infraestrutura de nuvem verdadeiramente soberana.

Por fim, uma nota positiva: Portugal foi eleito como membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU, o que lhe permitirá participar nas decisões globais, mesmo sem poder de veto. Este é um passo importante para que o país contribua para um futuro mais seguro e equilibrado no cenário internacional.

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soberania tecnológica soberania tecnológica Nota: análise relacionada com soberania tecnológica.

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Fonte: ECO

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