O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) realizou, em Brazzaville, capital do Congo, o seu encontro anual, onde foram delineadas estratégias para promover a autonomia financeira do continente africano. Sob a liderança de Sidi Ould Tah, economista mauritano, a instituição apresentou os ‘Quatro Pontos Cardeais’, que visam melhorar o acesso ao capital, reformar os sistemas financeiros, aproveitar a transformação demográfica e construir infraestruturas resilientes.
O primeiro ponto foca na melhoria do acesso ao capital, com a intenção de mobilizar recursos financeiros internos e internacionais. O BAD pretende combinar empréstimos concessionais com capital privado, atraindo assim investidores que ainda não se aventuraram no continente. Além disso, a instituição planeia acelerar a emissão de novos instrumentos financeiros, dedicados a metas de sustentabilidade, no mercado internacional de capitais.
A reforma dos sistemas financeiros é o segundo pilar da estratégia. O BAD propõe reforçar os bancos de desenvolvimento locais através de programas de assistência técnica e financeira, visando robustecer o capital das instituições financeiras regionais. A digitalização e a integração dos ecossistemas de pagamentos entre países também são fundamentais para facilitar as trocas comerciais, apoiando a Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA).
O terceiro ponto aborda a demografia, uma vez que África possui uma população jovem em crescimento. O BAD quer incentivar o surgimento de pequenas e médias empresas (PMEs) e start-ups, criando linhas de crédito acessíveis e programas de mentoria, especialmente para a liderança feminina. O investimento na economia digital e na formação tecnológica será um foco importante.
Por último, a construção de infraestruturas será realizada através da monetização de ativos públicos, transformando-os em capital e evitando o aumento da dívida soberana. O BAD pretende também apoiar projetos que garantam que a riqueza permaneça no continente, substituindo o financiamento da exportação de matérias-primas brutas por iniciativas que promovam cadeias de valor locais.
O encontro contou com a participação de cerca de quatro mil pessoas de mais de 81 países, e o ministro da Economia do Congo, Ludovic Ngatsé, destacou o apoio do Conselho de Governadores às propostas de Sidi Ould Tah. Este enfatizou que decisões políticas ousadas são essenciais para a transformação do continente.
Além disso, Angola anunciou uma contribuição de 6,5 milhões de dólares para o Fundo Africano de Desenvolvimento, elevando o número de países africanos que financiam este instrumento. O BAD também angariou mais de 3 mil milhões de dólares para o Fundo Azul da Bacia do Congo, que visa apoiar a conservação ambiental e o desenvolvimento sustentável.
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Fonte: Sapo





