A Europa enfrenta um défice anual de investimento que atinge os 1,4 biliões de euros, um valor que supera em mais do dobro as necessidades identificadas no Relatório Draghi. Neste contexto, os bancos europeus manifestam a sua incapacidade de apoiar a economia devido ao excesso de regulação. Assim, lançaram um apelo a Bruxelas para que sejam aliviadas algumas das regras, permitindo a libertação de capital e o reforço da sua capacidade de financiamento.
Um estudo da Oliver Wyman, encomendado pela Federação Bancária Europeia (EBF), revela que, nas condições atuais, os bancos necessitarão de 150 mil milhões de euros de capital CET1 para financiar apenas 20% das necessidades adicionais de investimento privado na Europa nos próximos anos. Este investimento é crucial não apenas para a transição digital e energética, mas também para os setores da defesa e segurança.
Com o mercado de capitais ainda pouco desenvolvido, os bancos “competitivos e resilientes” têm um papel vital na redução das lacunas de financiamento, conforme aponta o relatório. No entanto, o estudo destaca que as sucessivas camadas de regulamentação e o aumento da supervisão têm diminuído a capacidade e os incentivos dos bancos para apoiar investimentos essenciais para o crescimento da Europa.
Recentemente, a EBF apresentou um conjunto de recomendações enquanto a Comissão Europeia procura avançar com uma agenda de competitividade económica, que inclui a simplificação das regras. Maria Luís Albuquerque, comissária europeia de Estabilidade Financeira, está a preparar um relatório sobre a competitividade da banca europeia.
O estudo da Oliver Wyman alerta que a complexidade da regulamentação, com camadas de capital e supervisão, está a prejudicar a competitividade do setor. Uma abordagem mais equilibrada poderia garantir uma estrutura de capital robusta e permitir que os bancos financiassem o crescimento económico, com um impacto potencial de até 1,2 biliões de euros em capacidade de empréstimos.
Entre as sugestões do estudo, destaca-se a revisão da calibração das reservas para Outras Instituições Sistemicamente Importantes (O-SII), limitando-a a 1%. Atualmente, essa calibração varia significativamente entre os Estados-membros, resultando em diferenças de capital para instituições com perfis semelhantes. Limitar a reserva O-SII a 1% poderia libertar cerca de 50 mil milhões de euros em capital CET1 e permitir um montante estimado de 300 a 400 mil milhões de euros em empréstimos adicionais.
O estudo recomenda ainda a remoção da Reserva de Risco Sistémico (SyRB), que é aplicada de forma desigual entre os Estados-membros. A eliminação desta reserva poderia libertar entre 19 a 29 mil milhões de euros em capital, apoiando um montante estimado de 120 a 230 mil milhões de euros em novos empréstimos.
A Oliver Wyman sugere também que se avalie a implementação do limite mínimo de capital (output floor) de Basileia III, previsto para 2030. A implementação completa deste limite poderá aumentar os ativos ponderados pelo risco dos maiores bancos em cerca de 12%, reduzindo potencialmente a capacidade de empréstimo em 450 a 600 mil milhões de euros.
Por fim, a EBF propõe revitalizar a securitização, permitindo que os bancos vendam carteiras de crédito em títulos para aumentar a sua capacidade de concessão de novos empréstimos. Além disso, sugere a introdução de um objetivo de crescimento e competitividade na supervisão, obrigando os reguladores a avaliar o impacto no financiamento da economia antes de implementarem novas regras. Leia também: O impacto das novas regras bancárias na economia europeia.
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Fonte: ECO





