A SDR Portugal, responsável pelo Sistema de Depósito e Reembolso, conhecido como Volta, anunciou que atualmente apenas consegue recolher cerca de 7% das embalagens aptas para reciclagem que passam pelo Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens (SIGRE). Este dado foi revelado pela Sociedade Ponto Verde, que expressou uma “grande expectativa” em relação ao desempenho deste novo sistema.
Ana Trigo Morais, CEO da Sociedade Ponto Verde, explicou que as embalagens de bebidas que serão incluídas no sistema Volta representam entre 5% a 7% do total de embalagens geridas pelo SIGRE. Embora este número seja considerado relevante, a responsável sublinha que se trata de uma parte pequena do total de embalagens que precisam de ser tratadas. O SIGRE continua a ter uma quantidade significativa de embalagens para gerir.
Além da Sociedade Ponto Verde, existem outras cinco entidades licenciadas em Portugal para a gestão de embalagens e resíduos, incluindo Novo Verde, Electrão, Valormed, Sigeru e SDR Portugal. A SDR Portugal tem grandes expectativas em relação ao impacto do sistema Volta, que pretende transformar a relação dos consumidores com a reciclagem através de incentivos económicos. O sistema permite que os consumidores devolvam garrafas e latas de até três litros, recebendo de volta os 10 cêntimos pagos na compra.
Ana Trigo Morais acredita que o sistema Volta pode ser um “game changer” na reciclagem, com resultados positivos já observados em outros países. Ela destaca que os materiais recolhidos têm uma valorização muito melhor, o que é crucial para o sucesso do sistema.
Recentemente, a SDR Portugal comunicou que já recolheu mais de 10 milhões de embalagens em mais de 2.500 pontos de devolução. A empresa tem como objetivo recolher 40% das embalagens colocadas no mercado até ao final de 2026, um valor que foi reduzido em relação à meta inicial de 70%. Para 2027 e 2028, as expectativas são de recolher 80% e 90%, respetivamente.
No entanto, a taxa de reciclagem em Portugal ainda está aquém das metas europeias, com uma taxa global de cerca de 60,2% em 2025, quando o ideal seria de 65%. Ana Trigo Morais defende que é necessário melhorar o sistema de recolha, aumentando a concorrência e os incentivos para os consumidores, de forma a elevar as taxas de reciclagem.
A líder da Sociedade Ponto Verde critica a falta de melhorias na recolha de embalagens, mesmo com um aumento significativo do financiamento destinado a este setor. O SIGRE movimentou 212 milhões de euros em 2025, um aumento de 90 milhões em relação ao ano anterior, e a previsão para 2026 é que este valor suba para 241 milhões.
Ana Trigo Morais conclui que o setor dos resíduos precisa de uma reforma profunda, com mais concorrência e inovação nas centrais de tratamento. A CEO acredita que a tecnologia disponível não tem sido suficientemente atualizada e que é fundamental trazer inovações para melhorar a eficiência do sistema.
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Fonte: ECO





