Recentemente, fui surpreendido ao receber um prémio do Pingo Doce por um texto que escrevi sobre a eternidade infantil. Para mim, esta expressão é sinónimo de liberdade, uma forma de recordar a alegria pura e despreocupada da infância.
Como um “jovem velho”, escrevo para transformar os leitores em gatos ouvintes, atentos a cada palavra. As minhas ideias são como peças de dominó, esperando que uma delas se desequilibre e leve os leitores a descobrir a porta que dá acesso ao refrigério da eternidade infantil. Acredito que, ao escrever, homenageamos as crianças que fomos, aquelas que viviam cada momento sem preocupações, apenas desfrutando do presente.
Um dos meus projetos mais queridos é “Os Três Castelos”, que escrevi na esperança de encontrar as chaves para a eternidade infantil. Este texto é uma busca por reconstruir a alegria infinita da infância, onde brincar e ler se entrelaçam, e o tempo parece não ter importância. A eternidade infantil é um espaço onde a criança se opõe à máquina do tempo, onde a música da vida se transforma numa arte que desafia a passagem dos segundos.
Ser criança é aceitar o novo, desejar tudo e aprender a viver em comunidade. É acreditar que o futuro é promissor e que cada dia é uma nova aventura. A infância é feita de desafios, de perdão rápido e de amor genuíno. É um estado de espírito que nos permite ser artistas da nossa própria vida, inventores de histórias e poetas antes mesmo de conhecermos as palavras.
A eternidade infantil também nos ensina a apreciar os pequenos momentos: observar as nuvens deitado na relva, inventar jogos e acreditar nas fantasias. É um tempo em que não temos medo dos amigos imaginários e onde o aconchego do colo dos avós nos faz sentir seguros. É saber como transformar desapontamentos em surpresas e viver com a liberdade de não saber e, ao mesmo tempo, poder tudo.
Receber este prémio foi uma honra, mas mais importante é a mensagem que carrego: a eternidade infantil é uma forma de liberdade que devemos preservar através da literatura. Agradeço a todos que me leem e que, juntos, continuamos a celebrar a magia da infância.
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Fonte: Sapo





