A empresa alemã DE-CIX, especializada em pontos de troca de tráfego de internet, defende que a Europa deve uniformizar as taxas cobradas aos data centers. O CEO, Ivo Ivanov, argumenta que um modelo baseado na capacidade de energia e armazenamento dos centros de dados poderia evitar desigualdades entre países. Atualmente, as taxas variam consoante a localização geográfica, o que resulta em uma distribuição desigual dos recursos.
Durante uma recente visita a Lisboa, Ivanov destacou a importância de estabelecer um padrão para a tributação dos data centers, especialmente em regiões como a Península Ibérica, que está a crescer em termos de infraestrutura digital. “A Europa do Sul já não é a borda da Europa, pois está a tornar-se um centro digital com uma concentração significativa de capacidade e desenvolvimento de cloud soberana”, afirmou.
O CEO também abordou as críticas sobre a criação de empregos diretos pelos data centers. Embora a presença física de trabalhadores seja limitada, Ivanov sublinhou que existe uma cadeia de empregos indiretos que inclui engenheiros e técnicos. “Os políticos muitas vezes não percebem que a instalação de um data center gera mais trabalho nas comunidades onde estão localizados”, disse, referindo-se ao impacto positivo que a DE-CIX observou em Sines.
A DE-CIX está atenta às evoluções do mercado e tem introduzido novos serviços de interconexão para atender às necessidades emergentes. Um exemplo é o serviço de processadores que permite a empresas utilizar múltiplos data centers enquanto mantém a latência estável entre eles.
Apesar dos avanços em conectividade de fibra de alta velocidade em Portugal, a DE-CIX revelou que os utilizadores ainda enfrentam desafios de estabilidade na internet. Um estudo realizado pela Netsonda revelou que 22% dos inquiridos sentem atrasos na internet pelo menos uma vez por semana. Entre os que têm planos de alta velocidade, 23% reportam interrupções frequentes.
Além disso, metade dos participantes do inquérito enfrentou problemas de carregamento de páginas e aplicações, enquanto 36% teve dificuldades com streaming de vídeo. Ivanov aproveitou a ocasião para alertar sobre a importância de uma conexão estável, especialmente com o início do Campeonato do Mundo de Futebol 2026. “Não é apenas a velocidade que conta; o caminho que a internet percorre também influencia a latência”, frisou.
Ivo Ivanov exemplificou a importância de uma infraestrutura adequada com o caso da Netflix, que enfrentou problemas técnicos durante uma transmissão ao vivo. “Para transmissões ao vivo, é crucial ter um routing direto”, concluiu. Em Portugal, 39% dos utilizadores culpam os prestadores de serviços de internet pelos problemas de latência, o que reforça a necessidade de auditorias à qualidade da conexão.
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Fonte: ECO





