Nos últimos anos, Portugal registou um aumento significativo no número de doutorados, o que é um sinal positivo para o desenvolvimento académico e científico do país. Contudo, a realidade é que a academia não tem capacidade para absorver todos esses profissionais. Inês Lynce, presidente do INESC-ID, defende que é nas empresas que este talento deve ser aproveitado, uma vez que a sua integração pode trazer benefícios significativos para a economia.
O INESC-ID obteve recentemente um financiamento de 27,2 milhões de euros do fundo Horizonte Europa para o projeto SAIL – Sustainable Artificial Intelligence Laboratory. Este laboratório tem como objetivo não apenas a investigação em inteligência artificial, mas também a formação de doutorados e engenheiros, a transferência de tecnologia e a resposta a desafios éticos e sociais. Com parcerias internacionais, como o Max Planck Institute e o DFKI, o SAIL promete ser um marco na capacitação de profissionais em Portugal.
Inês Lynce explica que o SAIL é um projeto de capacitação que visa criar um impacto positivo a nível nacional e internacional. A iniciativa não se limita à formação de doutorados, mas também inclui a criação de novas empresas e a promoção de startups. O foco na ética e na responsabilidade na inteligência artificial é uma das prioridades do projeto, que procura garantir que as inovações sejam sustentáveis e benéficas para a sociedade.
Um dos principais desafios que se coloca é a atratividade das empresas em relação aos doutorados em Portugal. Apesar do elevado número de doutorados, muitas empresas ainda não reconhecem plenamente o valor que estes profissionais podem trazer. A presidente do INESC-ID destaca que é fundamental que as empresas compreendam que a formação académica não se limita ao conhecimento técnico, mas também oferece uma visão diferenciada que pode ser crucial para a inovação.
O SAIL prevê a criação de Living Labs e Transfer Labs, onde a ciência e a tecnologia poderão ser testadas e aplicadas em contextos reais. Estes laboratórios permitirão que doutorados e empresas colaborem, facilitando a transferência de conhecimento e a criação de soluções inovadoras. A formação de alunos de doutoramento será uma prioridade, com a expectativa de que sejam integrados no projeto ao longo dos próximos anos.
Inês Lynce sublinha que, para que o projeto tenha sucesso, é necessário atrair e reter talento em Portugal. O SAIL não só pretende formar doutorados, mas também criar condições para que estes profissionais possam desenvolver as suas carreiras no país, em vez de serem atraídos por empresas internacionais. A diversidade de formações e experiências é vista como uma mais-valia, essencial para a inovação.
Em suma, a integração de doutorados em Portugal nas empresas é uma questão crucial para o futuro do país. O projeto SAIL surge como uma oportunidade única para alavancar este potencial, promovendo a colaboração entre academia e indústria. A capacidade de transformar conhecimento em valor económico será determinante para o desenvolvimento sustentável da inteligência artificial e para a competitividade de Portugal no cenário global.
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Fonte: ECO





