IA e formação: chave para o aumento da produtividade nas empresas

A expectativa de que a inteligência artificial (IA) impulsionaria um aumento significativo da produtividade ainda não se concretizou. Margarida Sousa Uva, associate partner da Deloitte, destaca que um dos principais obstáculos é o investimento insuficiente na formação dos profissionais. De acordo com a nova edição do estudo “Human Capital Trends”, a maior parte do investimento em IA tem sido direcionada para a tecnologia, deixando apenas uma pequena parte para o desenvolvimento humano.

“93% do investimento em IA é destinado à tecnologia, enquanto apenas 7% é canalizado para as pessoas”, afirma Margarida Sousa Uva, sublinhando que essa percentagem é “garantidamente baixa”. Apesar de 60% dos trabalhadores já utilizarem IA nas suas funções, o retorno esperado em termos de produtividade não se materializou, precisamente devido a este desequilíbrio no investimento.

A associate partner da Deloitte defende que, se as empresas aumentarem o investimento em formação, liderança e capacitação, o retorno em produtividade será mais rápido e significativo. “Se investirmos mais em formação, mais nas lideranças e mais na capacitação, garantidamente que o retorno chegará mais rapidamente”, insiste.

Margarida Sousa Uva também destaca a importância da formação dos líderes, que devem estar preparados para desafiar as suas equipas e responder às solicitações do ambiente de trabalho atual. “Os líderes precisam de estar três ou quatro páginas à frente para poderem responder adequadamente”, afirma, referindo ainda a necessidade de compreender a ética e o impacto da tecnologia.

O estudo revela que as empresas que conseguirem utilizar a IA para potenciar o talento humano serão as que se destacarão no mercado. O verdadeiro diferencial competitivo não estará apenas na tecnologia, mas na capacidade de desenvolver o que se chama de “vantagem humana”. Os profissionais enfrentam um ritmo de mudanças acelerado, com um terço dos inquiridos a relatar 15 alterações significativas apenas no último ano. No entanto, apenas 27% dos líderes acreditam que as suas organizações estão a gerir bem essas mudanças.

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Margarida Sousa Uva alerta que muitas empresas ainda não avaliam adequadamente o impacto da IA nas dinâmicas humanas, como a confiança e a colaboração. A transformação provocada pela IA está a forçar os líderes a repensar a cultura organizacional, com 65% das empresas a reconhecerem que a sua cultura precisa de mudar significativamente devido à IA.

O investimento em cultura organizacional e em tecnologia é, segundo a responsável, uma área que ainda carece de atenção nas empresas. “É necessário encontrar os casos de uso que realmente importam e que podem ser disseminados por toda a organização”, conclui.

Por fim, Margarida Sousa Uva salienta que a IA pode ser integrada de várias formas nos processos de trabalho, não se limitando a substituir funções humanas. “A IA pode assumir o papel de chefe, orientar e monitorizar o desempenho, ou funcionar como coach, oferecendo feedback para a melhoria das competências”, explica.

Leia também: A importância da formação contínua no contexto da IA.

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Fonte: ECO

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