Na recente cimeira do G7, que decorreu em Évian-les-Bains, França, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, anunciou a intenção de reativar as sanções à Rússia, que tinham sido suspensas em março. Na altura, Trump justificou a suspensão com a necessidade de garantir o fornecimento de petróleo, devido à guerra no Irão que afetou o Estreito de Ormuz. Contudo, a decisão gerou descontentamento entre os países europeus, incluindo a Ucrânia, que consideram que a questão russa não deve ser tratada de forma secundária.
Trump afirmou que “poderemos fazer isto porque o petróleo já está a fluir”, referindo-se ao regresso das sanções. As isenções concedidas ao petróleo russo estão agora em risco, e a comunidade internacional aguarda a definição do calendário para a sua reativação. Além disso, os líderes do G7 concordaram em aumentar a pressão sobre Moscovo para que este se sente à mesa das negociações, o que poderá incluir novas medidas contra as exportações de petróleo da Rússia.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, participou na cimeira como convidado e recebeu garantias de apoio político e militar por parte dos líderes do G7. Trump elogiou a evolução das forças ucranianas, que, segundo ele, já não estão numa posição de recuo. Esta nova dinâmica militar, segundo o G7, fortalece a posição negociadora da Ucrânia e abre a possibilidade de diálogo com Vladimir Putin.
Apesar do foco na Ucrânia, a situação no Irão também foi discutida. Trump alertou para o aumento dos preços da energia devido ao conflito na região e ameaçou Teerão com “consequências terríveis” se não cumprir com as metas nucleares. A cimeira revelou uma divisão entre os países europeus, com alguns, como a Alemanha e o Reino Unido, a mostrarem-se favoráveis ao levantamento de sanções ao Irão, enquanto a União Europeia se manteve firme na necessidade de mudanças concretas por parte de Teerão.
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, reiterou que as sanções devem ser mantidas até que haja uma mudança verificável no comportamento do Irão. “As sanções existem para mudar comportamentos”, afirmou, destacando a importância de garantir os direitos humanos e prevenir a proliferação de armas de destruição maciça.
António Costa, presidente do Conselho Europeu, elogiou o acordo de cessar-fogo no Médio Oriente, mas sublinhou a necessidade de abordar a situação humanitária em Gaza e a expansão dos colonatos na Cisjordânia. Costa defendeu que a solução de dois Estados é o único caminho viável para uma paz duradoura na região.
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Fonte: Sapo





