Cuba aprova reformas económicas que marcam viragem histórica

O Parlamento cubano deu um passo decisivo ao aprovar, por unanimidade, um abrangente programa de reformas económicas que promete transformar a economia da ilha. Esta mudança histórica surge num contexto de crise profunda, exacerbada por pressões externas, especialmente dos Estados Unidos.

Mais de 400 deputados da Assembleia Nacional do Poder Popular votaram sobre 176 propostas que abrangem diversos setores, desde a agricultura até ao turismo. As reformas foram apresentadas pelo primeiro-ministro, Manuel Marrero, e foram aprovadas através de uma votação pública, conforme transmitido pela televisão estatal.

As novas medidas visam reorganizar tanto as empresas estatais como as privadas, abrangendo áreas cruciais como o sistema bancário, o mercado cambial e os investimentos estrangeiros. Daniel Torralbas, economista cubano radicado em Londres, descreveu este programa como o mais profundo em 70 anos, desde a revolução de 1959.

Após a revolução, as empresas privadas foram nacionalizadas, mas, em 2021, o governo cubano começou a permitir a criação de pequenas e médias empresas, que agora empregam cerca de um terço da população ativa. Com as reformas agora aprovadas, as empresas estatais poderão ser transformadas em sociedades comerciais e as empresas privadas poderão ter mais de 100 trabalhadores. Além disso, os cubanos poderão abrir contas em moeda estrangeira e possuir múltiplas empresas.

As reformas económicas têm como objetivo aumentar a participação do setor privado na economia cubana, permitindo, pela primeira vez, investimentos privados na agricultura, turismo e setor bancário. Torralbas sublinhou que estas mudanças são drásticas e não meros ajustes superficiais.

Apesar das transformações, o sistema político, dominado pelo Partido Comunista Cubano, permanece inalterado. O Presidente Miguel Díaz-Canel afirmou que as reformas visam corrigir erros, mas sempre com a intenção de preservar o socialismo. O Comité Central do partido já tinha dado luz verde a este pacote de reformas, que surge num momento de crescente pressão económica, incluindo um bloqueio petrolífero imposto pelos Estados Unidos.

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As reformas económicas em Cuba são uma resposta à crise que o país enfrenta, marcada por escassez de alimentos, energia e medicamentos. O vice-presidente norte-americano, JD Vance, comentou que uma relação melhor entre os EUA e Cuba depende de decisões inteligentes por parte do governo cubano.

Leia também: O impacto das reformas económicas na sociedade cubana e no seu futuro.

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Fonte: ECO

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