Cerca de dois milhões de pessoas em Portugal continuam a enfrentar o risco de pobreza ou exclusão social, incluindo 322 mil crianças e adolescentes. Apesar deste cenário preocupante, o país apresenta melhorias significativas em comparação com anos anteriores. Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que 18,6% da população se encontrava em risco de pobreza em 2024, uma diminuição em relação aos 19,7% do ano anterior. Desde 2016, a taxa de pobreza em Portugal caiu 6,3 pontos percentuais, o que representa uma redução de 582 mil pessoas, num período em que a população cresceu em 244 mil.
Em termos de comparação com outros países da União Europeia, Portugal ocupa a 11.ª posição em relação à taxa de pobreza, empatado com a Áustria e a Suécia. Este valor está abaixo da média europeia, que se situa em 20,9%. Nos últimos dez anos, Portugal nunca esteve tão bem posicionado, tendo alcançado a 15.ª posição em 2023 e 2024, a melhor desde 2016. A Chéquia apresenta a taxa mais baixa, com 11,5%, enquanto a Grécia e a Espanha estão entre os países com maiores taxas de pobreza.
Além disso, a taxa de risco de pobreza monetária, que considera apenas os rendimentos, também apresentou melhorias, passando de 16,6% para 15,4% em um ano. Este é o valor mais baixo desde a década de 90, colocando Portugal na 13.ª posição na tabela europeia, uma melhoria em relação ao 16.º lugar do ano anterior.
A evolução do emprego tem sido um fator crucial para esta trajetória positiva, mas não é a única razão. Carlos Farinha Rodrigues, especialista em pobreza, destaca que as prestações sociais, apesar de não serem as mais eficazes na mitigação da pobreza, tiveram um impacto positivo, especialmente com alterações no Complemento Solidário de Idosos. Além disso, a crescente consciência social de que a pobreza é um problema coletivo e o aumento do nível de qualificações, com dois milhões de licenciados a trabalhar no país, também são determinantes.
Contudo, a situação não é homogénea. A proporção de trabalhadores qualificados em situação de pobreza preocupa, com cerca de 5% a enfrentar dificuldades. As crianças, as famílias monoparentais e numerosas, bem como a população empregada, também apresentam taxas alarmantes de pobreza, com 8,6% dos trabalhadores a viverem em condições precárias.
Carlos Farinha Rodrigues alerta ainda para novas preocupações que emergem neste contexto. O acesso à habitação é um dos principais desafios, uma vez que muitos rendimentos estão acima do limiar de pobreza, mas as despesas com a habitação tornam a situação insustentável. Quando se consideram os custos com a habitação, a taxa de pobreza sobe para 26,8%, embora ainda esteja em níveis historicamente baixos.
Portugal, com o seu 11.º lugar na tabela europeia, enfrenta um panorama complexo. A Eslováquia apresenta a melhor taxa de pobreza após despesas com a habitação, enquanto a Grécia regista a pior. Apesar das melhorias, os níveis de pobreza em Portugal ainda estão longe do que seria considerado aceitável e estão interligados com a desigualdade, que continua a ser um problema significativo no país.
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Fonte: Sapo





