Num cenário em constante evolução, a resiliência operacional tornou-se um elemento central na estratégia das empresas de seguros. Com o aumento das ciberameaças e a complexidade das fraudes impulsionadas pela inteligência artificial, as seguradoras enfrentam novos desafios que podem comprometer a continuidade dos seus serviços e a confiança dos seus clientes.
A capacidade de resposta a interrupções já não é apenas uma exigência regulatória, mas uma questão vital para a sobrevivência das empresas. A resiliência operacional deve ser encarada como um compromisso estratégico que envolve toda a organização, desde a alta direção até às áreas de negócio e tecnologia. Neste contexto, a integração entre a continuidade de negócio, a recuperação de desastres e a robustez organizacional é crucial para garantir respostas eficazes em situações de crise.
Um dos pilares da resiliência operacional é a análise de impacto no negócio. Para as seguradoras, que dependem de processos digitais para a subscrição e gestão de sinistros, é fundamental identificar as atividades essenciais e as principais dependências. Este exercício permite priorizar as respostas e a recuperação, sendo que uma falha prolongada pode resultar em perda de negócio e reputação. A análise de impacto deve ser dinâmica e refletir a evolução dos riscos e das exigências regulatórias.
Contudo, identificar riscos não é suficiente. É necessário ter planos de continuidade de negócio que sejam eficazes. A qualidade e o detalhe desses planos são essenciais, assim como a validação através de testes regulares e simulações. Muitas seguradoras ainda enfrentam dificuldades nesta área, seja por documentação desatualizada ou por testes insuficientes. Para superar estas fragilidades, é importante promover uma cultura de melhoria contínua e criar estruturas de governação dedicadas à resiliência.
A cibersegurança é uma das maiores preocupações do setor, uma vez que os ataques estão a tornar-se mais sofisticados. As seguradoras lidam com dados sensíveis, e uma falha pode ter um impacto significativo. A resposta deve ir além das defesas tradicionais, integrando práticas de monitorização contínua e reforço de controlos internos.
Além disso, a crescente dependência de terceiros, como fornecedores de tecnologia e prestadores de serviços, cria novos pontos de vulnerabilidade. A resiliência operacional deve, portanto, ser estendida a estes parceiros, assegurando que estão preparados para responder a incidentes sem comprometer o funcionamento da organização.
Embora os indicadores mostrem alguma estabilização no número de ataques, a sofisticação das ameaças significa que muitos incidentes podem passar despercebidos. A complacência é um risco em si mesmo, e a vigilância constante deve ser parte da cultura organizacional.
Modelos internacionais que promovem a proteção e recuperação de dados críticos oferecem pistas relevantes. Para as seguradoras, a capacidade de restaurar informações sobre apólices e clientes rapidamente pode ser a diferença entre uma crise controlada e um impacto sistémico.
Em suma, a resiliência operacional no setor segurador português está a evoluir de um imperativo de conformidade para uma verdadeira vantagem estratégica. As organizações que conseguirem integrar eficazmente a análise de impacto, planos robustos e uma abordagem avançada à cibersegurança estarão melhor posicionadas para enfrentar um ambiente cada vez mais incerto. Preparar-se para crises e garantir a continuidade do negócio é essencial para preservar a confiança, o ativo mais valioso do setor segurador.
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Fonte: ECO





