China mantém taxa de juro em 3% pelo 14.º mês consecutivo

O Banco Popular da China anunciou que irá manter a taxa de juro de referência em 3% pelo 14.º mês consecutivo. Esta decisão estava em linha com as expectativas dos analistas, que não previam alterações significativas. A taxa preferencial de empréstimo (LPR) a um ano permanecerá, pelo menos, neste nível durante mais um mês, conforme indicado na atualização mensal do banco central.

A LPR, que foi adotada como referência para as taxas de juro em 2019, é fundamental para a definição dos juros de novos empréstimos, especialmente os destinados a empresas, e para os créditos de taxa variável ainda em aberto. O cálculo da LPR é baseado nas contribuições de vários bancos, incluindo instituições menores que enfrentam custos de financiamento mais elevados. O objetivo principal desta taxa é reduzir os custos de financiamento e apoiar a chamada “economia real”.

Além disso, a LPR a cinco anos ou mais, que serve como referência para o crédito à habitação, continuará a ser fixada em 3,5%. Esta decisão também está alinhada com as previsões dos especialistas, que não esperavam mudanças nesta área.

A última redução das taxas de juro na China ocorreu em maio de 2025, quando o banco central cortou ambas as taxas em dez pontos base. A LPR a um ano desceu de 3,1% para 3%, enquanto a taxa a cinco anos ou mais passou de 3,6% para 3,5%. Na altura, a decisão foi considerada inevitável devido à difícil conjuntura da segunda maior economia do mundo.

Nos últimos meses, o banco central teve margem para reduzir as taxas sem receio de uma nova desvalorização do renmimbi, especialmente após os cortes realizados pela Reserva Federal dos Estados Unidos. No entanto, os receios de alimentar uma bolha nos mercados financeiros e agravar os problemas de excesso de capacidade industrial levaram a uma manutenção da política monetária.

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Recentemente, especulou-se sobre a possibilidade de uma descida das taxas, mas o crescimento económico de 5% no primeiro trimestre, que superou as expectativas, e a aceleração da inflação devido à guerra no Irão, levaram o banco a optar pela continuidade da sua estratégia.

Os analistas destacam que a incerteza provocada pelas disputas comerciais com os Estados Unidos, a fraca procura interna e externa, os riscos de deflação, os estímulos considerados insuficientes, a prolongada crise no setor imobiliário e a falta de confiança dos consumidores e do setor privado são fatores que explicam uma recuperação económica da China menos robusta do que o esperado após os anos da política de ‘covid zero’.

Leia também: O impacto das taxas de juro na economia global.

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Fonte: Sapo

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