Governo português investe em gémeos digitais para prever catástrofes

O Governo português está a explorar a utilização de “gémeos digitais” para prever catástrofes e otimizar a gestão da mobilidade urbana. O anúncio foi feito pelo ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, durante uma conferência de imprensa em Lisboa, onde destacou que este projeto está a ser desenvolvido pela Agência para a Reforma Tecnológica do Estado (ARTE), sem a colaboração de empresas estrangeiras.

Os gémeos digitais, ou “digital twins”, são réplicas virtuais precisas de objetos, processos ou sistemas reais. Estes modelos utilizam dados em tempo real, provenientes de sensores e da Internet das Coisas (IoT), para simular comportamentos, prever falhas e testar soluções antes de serem implementadas no mundo físico. A aplicação de gémeos digitais pode ser uma ferramenta poderosa para a gestão de crises e a melhoria da eficiência dos serviços públicos.

Além dos gémeos digitais, Gonçalo Matias anunciou que o modelo de inteligência artificial português, denominado Amália, estará pronto para ser apresentado em julho. Este modelo será utilizado na Administração Pública e permitirá a aplicação de IA em áreas sensíveis, como a saúde e as Forças Armadas. O ministro sublinhou que o Amália é um modelo soberano, o que significa que pode ser adaptado a casos de uso específicos que exijam um elevado nível de segurança e privacidade.

O Governo está também a analisar a implementação de soluções de IA em diversos ministérios, com o objetivo de otimizar a gestão de recursos e acelerar processos de decisão, licenciamento e contratação pública. A ideia é que a adoção de gémeos digitais e outras tecnologias de IA contribua para a melhoria da qualidade dos serviços públicos.

Na mesma reunião, foi discutido um plano de formação em inteligência artificial para a Administração Pública, com um investimento previsto de 80 milhões de euros. O ministro revelou que a primeira fase deste plano terá uma dotação inicial de 25 milhões de euros, com formações presenciais e à distância. A formação em IA é vista como essencial para preparar os funcionários públicos para a utilização eficaz destas novas tecnologias.

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Por fim, o Governo estima que a harmonização dos cadernos de encargos poderá resultar em poupanças na ordem dos 300 milhões de euros. Esta estratégia visa garantir que o Estado tenha uma abordagem unificada na contratação de grandes fornecedores de tecnologia, permitindo uma gestão mais eficiente dos recursos.

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Fonte: ECO

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