Portugal desce no ranking europeu do PIB per capita

Portugal está a enfrentar uma queda significativa no seu PIB per capita, que deverá passar de 81,3% da média europeia para apenas 77% até 2025. Esta revisão dos dados populacionais, realizada pelo Instituto Nacional de Estatística, revela que o país descerá três posições no ranking europeu, sendo ultrapassado pela Estónia (79%), Croácia e Roménia (ambas com 78%).

Os novos números populacionais, que refletem “fluxos migratórios excecionalmente elevados”, foram divulgados esta segunda-feira e têm implicações profundas na análise económica do país. De acordo com Óscar Afonso, economista e diretor da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, esta alteração indica que a situação económica de Portugal é, na verdade, pior do que se pensava.

Os dados do Eurostat, que ainda não foram atualizados, colocavam Portugal na 18.ª posição, em paridade com a Polónia, ambos com 81% da média europeia. Contudo, com a população a aumentar de 10,7 para 11,4 milhões de pessoas, a riqueza por habitante diminui, resultando numa queda para 77%.

A revisão dos dados populacionais nos últimos cinco anos mostra uma tendência de degradação do PIB per capita. Em 2021, o valor passou de 73,8% para 73,2%; em 2022, de 77% para 74,9%; em 2023, de 81,1% para 77,5%; e em 2024, de 82,4% para 78%, segundo os cálculos de Óscar Afonso. Esta evolução revela que Portugal tem estado a ocupar posições cada vez mais baixas no ranking europeu, passando de 18.º lugar em 2016 para uma 21.ª posição em 2024.

Óscar Afonso destaca que esta situação do PIB per capita “explica tudo o que sabemos sobre a realidade económica do país”, incluindo o endividamento das famílias e os baixos salários. Além disso, Portugal é o país da União Europeia onde o desfasamento entre os preços da habitação e os rendimentos se acentuou mais nos últimos anos. O economista critica ainda a “carga fiscal expressiva” que sustenta um “Estado enorme que não funciona”, sugerindo que uma redução do peso do Estado poderia melhorar a eficiência.

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Apesar da degradação do PIB per capita, Afonso reconhece o impacto positivo dos imigrantes na economia, que têm contribuído para o equilíbrio das contas públicas. “Se não fossem os imigrantes, teríamos problemas nas contas públicas”, afirma. Ele salienta que o saldo orçamental é impulsionado pelo aumento do salário mínimo e pelo crescimento do emprego, em grande parte devido à imigração.

No entanto, Afonso alerta que Portugal não tem conseguido escalar em termos de especialização do mercado de trabalho, permanecendo dependente de setores de baixo valor acrescentado, como o turismo. O economista defende que o Governo deveria ter iniciado reformas económicas há dois anos, quando Luís Montenegro assumiu a liderança, e critica a falta de progresso em termos de investimento.

“Estamos bloqueados”, conclui Óscar Afonso, sublinhando a urgência de uma mudança na abordagem económica do país. Leia também: “Os desafios do crescimento económico em Portugal”.

PIB per capita Nota: análise relacionada com PIB per capita.

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Fonte: Sapo

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