O ex-presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, assinalou os 50 anos de autonomia da região, afirmando que o processo ainda não alcançou “a dimensão ideal”. Segundo Jardim, há muito trabalho por fazer para garantir os direitos do povo madeirense.
Jardim, que foi eleito deputado nas primeiras eleições legislativas regionais em 1976 e assumiu a presidência do Governo da Madeira em 1978, ocupou o cargo durante 37 anos, até 2015. Durante uma entrevista à agência Lusa, o social-democrata fez um balanço da autonomia, sublinhando que o reconhecimento político da Madeira ainda está em desenvolvimento.
“Como ator há mais tempo em palco na luta pelo reconhecimento da autonomia política, que ainda não atingiu a dimensão ideal, deixo esse balanço para a opinião pública atual e para o julgamento da História”, afirmou. Ele recordou que o processo de autonomia foi marcado por uma luta política constante, respeitando sempre os adversários que surgiram ao longo do caminho.
Jardim também partilhou os momentos mais difíceis da sua carreira, destacando as enxurradas de 2010, que causaram 47 mortos e deixaram um rasto de destruição na Madeira. A tragédia levou à criação de uma Lei de Meios, com um investimento de cerca de 1.040 milhões de euros para a reconstrução da região.
Por outro lado, o ex-presidente mencionou a “mudança de mentalidades” na Madeira como um dos seus melhores momentos. “Hoje, ao andar na rua, sinto que as pessoas me tratam bem, apesar do longo período de governação”, disse.
Sobre a perceção da República em relação às autonomias regionais, Jardim afirmou que esta é influenciada por uma diversidade de pessoas e instituições. “Não sou igualitarista. Há de tudo nas pessoas e nas instituições”, sublinhou, acrescentando que cabe aos políticos autonomistas distinguir o que é bom do que não é.
O futuro da autonomia da Madeira, segundo Jardim, ainda requer muito trabalho. Ele defendeu a necessidade urgente de uma revisão constitucional, afirmando que a História tem demonstrado a resiliência do povo madeirense. “Acredito nas gerações que se seguem, como acredito nos meus filhos e netos”, concluiu.
Atualmente com 83 anos, Jardim continua ativo na vida pública, participando em conferências, escrevendo livros e artigos de opinião, e até atuando em produções regionais.
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Fonte: Sapo





