O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou em baixa a previsão de crescimento de Portugal para 2023, agora estimando um aumento de 1,7%. Esta alteração surge após uma previsão anterior de 1,9%. Contudo, o FMI melhorou a projeção do saldo orçamental, que agora aponta para um equilíbrio, em contraste com o défice de 0,1% que era esperado anteriormente.
Na sua avaliação periódica sobre a economia nacional, o FMI sublinha que o crescimento para os próximos dois anos deverá ser de 1,7% e 1,6%, também abaixo das previsões anteriores de 1,8%. Esta revisão é atribuída, em parte, aos impactos negativos das tempestades que afetaram o país no início do ano e à guerra no Médio Oriente, que provocou um choque energético. Apesar disso, os fundos europeus, como o PRR, têm ajudado a mitigar esses efeitos, embora não de forma total.
As previsões do FMI contrastam com as do Governo, que antecipa um crescimento de 2% para este ano. A expectativa do FMI alinha-se com as previsões da OCDE e do Banco de Portugal. Em comparação, Bruxelas projeta um crescimento de 1,7% para a economia portuguesa em 2026, enquanto o Conselho de Finanças Públicas (CFP) aponta para 1,6%.
Embora a previsão de crescimento de Portugal tenha sido cortada, os diretores do FMI elogiam a “forte performance económica” do país, especialmente a recuperação após a pandemia. Em termos orçamentais, o FMI prevê um saldo nulo para este ano, uma melhoria significativa em relação ao défice anteriormente projetado. Para 2027, a expectativa é de um saldo zero, em contraste com o défice de 0,2% que era esperado.
A inflação, por sua vez, continua a apresentar um perfil volátil, mas em queda. O FMI prevê que a inflação termine o ano em 3,4%, uma revisão de 0,3 pontos percentuais em relação à previsão anterior. Para o próximo ano, a expectativa é que a inflação modere para 2,3%, abaixo dos 2,7% anteriormente projetados.
Em relação à dívida, espera-se que o indicador termine o ano em 85,6%, com uma descida prevista para 82,3% no próximo ano e 79,2% em 2028.
Apesar dos elogios aos números macroeconómicos, o FMI deixou várias recomendações, especialmente no que diz respeito a prestações sociais e benefícios fiscais. O Fundo enfatiza a necessidade de “medidas adicionais para garantir posições orçamentalmente equilibradas”, sugerindo que o alívio fiscal nos combustíveis deve ser revisto e substituído por apoios direcionados a famílias de baixos rendimentos e empresas viáveis.
No que toca à habitação, o FMI recomenda mais medidas do lado da oferta e sugere que o Governo reconsidere as políticas de apoio à procura, como a garantia na compra de casa para jovens, que, segundo o Fundo, têm exacerbado os desequilíbrios no mercado.
Em relação às prestações sociais, o FMI apoia a proposta do Governo de consolidar 13 apoios numa única prestação, a Prestação Social Única, com o objetivo de simplificar o acesso e reforçar incentivos ao trabalho. Quanto às pensões, o FMI sugere que se intensifiquem os esforços para garantir a sustentabilidade do sistema, especialmente através do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social.
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Fonte: Sapo





