Os preços das casas em Portugal continuarão a ser elevados, segundo a DBRS, devido à oferta limitada, especialmente no que diz respeito à nova construção. Embora a agência de notação financeira anteveja uma desaceleração da procura, motivada pela diminuição da imigração, não espera uma queda acentuada nos preços nem a formação de uma bolha imobiliária.
A DBRS explica que os fatores que impulsionaram o aumento rápido dos preços das casas estão a desacelerar, especialmente com a combinação de um abrandamento dos fluxos migratórios e a expectativa de inflação elevada, além de um endurecimento nas condições de financiamento. Apesar disso, as pressões sobre os preços deverão manter-se elevadas, uma vez que a oferta habitacional não tem conseguido acompanhar a procura crescente.
A análise da DBRS, elaborada por Jason Graffam, Javier Rouillet e Elisabeth Rudman, sublinha que os fundamentos macroeconómicos, como o crescimento populacional, aumento do emprego e rendimentos, e as baixas taxas de juro, continuam a sustentar a valorização dos preços das casas em Portugal e Espanha. A oferta, no entanto, não tem respondido com a rapidez necessária, resultando num défice habitacional significativo em ambos os países.
Entre 2019 e 2025, o PIB português deverá crescer mais de 10%, enquanto a média na zona euro é de apenas 6%. Este crescimento económico, aliado à chegada de cerca de 650 mil imigrantes, tem contribuído para o aumento da procura por habitação e, consequentemente, para a subida dos preços das casas.
As famílias portuguesas estão, em geral, em melhor situação financeira, o que diminui o risco de uma correção abrupta no mercado imobiliário ou de impactos significativos na estabilidade financeira. A DBRS destaca que ainda é cedo para afirmar a existência de uma bolha imobiliária em Portugal ou Espanha, pois existem vários fatores que mitigam os riscos de instabilidade macroeconómica.
Os especialistas da agência afirmam que as limitações na oferta e o abrandamento gradual da procura deverão impedir uma queda acentuada nos preços. Além disso, o atual ciclo de expansão não é sustentado por uma acumulação excessiva de dívida, ao contrário do que aconteceu no passado. O rácio da dívida das famílias em relação ao rendimento disponível diminuiu de cerca de 100% entre 2008 e 2012 para aproximadamente 50% em 2025.
Este cenário sugere que as famílias estão financeiramente mais sólidas, o que reduz o risco de uma correção abrupta no mercado imobiliário. Leia também: O impacto da imigração nos preços das casas em Portugal.
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Fonte: ECO





