O partido Chega defendeu, durante a sessão plenária que assinalou os 50 anos da autonomia das Regiões Autónomas, que é necessário abrir uma nova fase na autonomia regional dos Açores e da Madeira. Francisco Gomes e Ana Martins, representantes do Chega nas duas regiões, destacaram que, apesar do meio século de autonomia, ainda existem sinais preocupantes de dependência económica e administrativa.
Francisco Gomes, deputado pelo Chega na Madeira, afirmou que a autonomia deve ser uma conquista do povo madeirense e não de governos ou partidos. Criticou o atual Governo Regional, liderado por Miguel Albuquerque, por considerar que a autonomia não se concretiza quando o governo se afasta das necessidades do povo. Gomes sublinhou que a autonomia regional não deve ser usada para favorecer interesses pessoais ou políticos, referindo que 20% da população vive na pobreza, enquanto alguns políticos da região estão entre os mais ricos do país.
O deputado também fez referência às “borlas fiscais” concedidas pelo governo, que totalizam 190 milhões de euros, e lamentou a situação de pessoas em situação de rua no Funchal. Para Gomes, o governo atual “transpira arrogância e miséria”, traindo os princípios da autonomia regional.
Ana Martins, eleita pelo Chega nos Açores, começou por reconhecer a autonomia como um marco importante na história democrática da região. No entanto, alertou que celebrar a autonomia não deve significar ignorar os problemas persistentes que os açorianos enfrentam. Martins criticou a dualidade entre o centralismo de Lisboa e o burocrático de Bruxelas, que tem limitado a capacidade fiscal da região.
A deputada também responsabilizou os governos regionais anteriores pela falta de progresso, destacando as fragilidades nos transportes, a conectividade e os desafios demográficos que afetam algumas ilhas. Para Martins, a autonomia regional deve ser mais do que um princípio constitucional; deve traduzir-se numa verdadeira capacidade de decisão e desenvolvimento.
“Celebrar os 50 anos da autonomia é um compromisso com o futuro”, afirmou Ana Martins, enfatizando a necessidade de transformar a autonomia regional numa ferramenta eficaz para o progresso das ilhas. “Esse é o desafio que não podemos continuar a adiar”, concluiu.
Leia também: Como a autonomia regional pode impulsionar o desenvolvimento local.
Leia também: Volkswagen planeia cortar até 100 mil empregos a nível global
Fonte: Sapo





