Na sessão plenária que celebrou os 50 anos da autonomia das Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores, os deputados do PSD destacaram o papel fundamental de Alberto João Jardim e João Bosco Mota Amaral na construção deste modelo. No entanto, alertaram que a autonomia é uma “obra inacabada” que necessita de atenção contínua.
Pedro Coelho, deputado eleito pela Madeira, iniciou a sua intervenção com uma saudação especial a Alberto João Jardim, que esteve presente na sessão. Jardim, que liderou o Governo Regional da Madeira entre 1978 e 2015, foi descrito por Coelho como “o rosto da nossa autonomia”, recebendo aplausos da bancada do PSD. O deputado sublinhou as transformações significativas na Madeira desde 1976, afirmando que a região, outrora uma das mais pobres do país, se tornou uma das que apresenta maior riqueza gerada por habitante.
Coelho destacou que, há 50 anos, cerca de um terço da população madeirense era analfabeta, enquanto hoje o PIB per capita da região supera a média nacional, com a dívida a situar-se em 56,7% do PIB. Contudo, enfatizou que “a autonomia é uma obra inacabada”, sublinhando que, apesar dos avanços, é necessário continuar a trabalhar para garantir um futuro próspero.
O deputado também fez referência à necessidade de uma “resposta urgente” em áreas como a continuidade territorial e a mobilidade dos madeirenses, apelando a um diálogo eficaz entre o Governo da República e o Governo Regional da Madeira.
Paulo Moniz, deputado do PSD pelos Açores, também elogiou a obra de Mota Amaral, que presidiu ao Governo Regional dos Açores entre 1976 e 1995. Moniz afirmou que Mota Amaral é “o pai da autonomia açoriana” e que a sua visão foi crucial para a construção deste modelo. O deputado sublinhou que a autonomia não deve ser confundida com isolamento e que é fundamental que o Estado mantenha a sua responsabilidade nas questões de coesão social e territorial.
Moniz defendeu que a subsidiariedade deve ser encarada como uma forma de garantir a presença do Estado na distribuição de recursos, e que a lealdade institucional é essencial para o sucesso da autonomia. Ele lembrou que os Açores acrescentam uma dimensão atlântica e geoestratégica a Portugal, que deve ser valorizada.
O líder parlamentar do CDS-PP, Paulo Núncio, também se fez ouvir, defendendo que “aprofundar as autonomias é afirmar a soberania”. Núncio apelou a uma discussão responsável sobre o futuro das duas regiões, destacando a importância de construir pontes e garantir a estabilidade nas autonomias.
O debate sobre a autonomia nas Regiões Autónomas continua a ser relevante, e os desafios que se colocam exigem uma reflexão profunda. Leia também: O impacto da autonomia na economia regional.
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Fonte: Sapo





