Mais de 400 artistas e intelectuais manifestaram a sua preocupação com a recente proposta de reformulação do Regime Jurídico da Rede do Ensino Português no Estrangeiro (EPE). Este grupo, que inclui figuras proeminentes como Lídia Jorge, Teolinda Gersão e José Luís Peixoto, lançou um “Manifesto em Defesa da Rede EPE”, sublinhando a importância desta rede como um ativo crucial da diplomacia cultural portuguesa.
Os signatários do manifesto destacam a urgência de rejeitar a precarização da rede EPE e apelam a uma maior estabilidade e reconhecimento das carreiras dos profissionais envolvidos. Estes artistas e académicos afirmam que a rede EPE é um espaço vital para a promoção da literatura, arte e cultura portuguesas em todo o mundo. “A rede de Ensino Português no Estrangeiro não só garante visibilidade às letras e à cultura, como também cria pontes entre escritores e comunidades”, afirmam.
Atualmente, os Leitores e Professores da rede EPE desempenham um papel fundamental na divulgação da língua portuguesa em diversos países. “Todos os dias, há um Leitor da rede EPE a organizar eventos que promovem a cultura portuguesa”, acrescentam os signatários. Este trabalho, embora muitas vezes realizado em condições precárias, é considerado essencial para a internacionalização da cultura em língua portuguesa.
Os artistas sublinham que, apesar da diminuição do número de Leitorados e da crescente vulnerabilidade dos profissionais, estes continuam a desenvolver atividades como coordenação de viagens, residências artísticas e festivais. “Estes profissionais tecem uma teia de contactos e colaborações que tornam a cultura em língua portuguesa uma das mais estudadas no mundo”, destacam.
Além disso, a rede EPE é vista como um elo de ligação fundamental para as comunidades portuguesas na diáspora, ajudando-as a reconectar-se com as suas raízes. “É através da rede EPE que as novas gerações de descendentes de portugueses têm acesso à nossa literatura e artes”, afirmam.
O manifesto apela ao Governo para que reconheça a importância do Ensino Português no Estrangeiro, através de um investimento sério e valorização dos profissionais que nele trabalham. “Num momento de incertezas e crises, é crucial que o trabalho humanístico da rede EPE seja reconhecido e apoiado”, concluem.
Até ao momento, o “Manifesto em Defesa da Rede EPE” foi assinado por 441 personalidades ligadas à cultura e à língua portuguesa. As negociações entre os sindicatos dos professores e o Governo, que começaram no final de maio, têm sido marcadas por contestações às propostas apresentadas. Uma nova reunião está agendada para 13 de julho, na esperança de que se chegue a um entendimento que valorize o Ensino Português no Estrangeiro.
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Ensino Português no Estrangeiro Nota: análise relacionada com Ensino Português no Estrangeiro.
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Fonte: ECO





