China assume papel central nas operações de paz da ONU

Nos últimos anos, as operações de paz da ONU enfrentaram uma significativa redução, com uma diminuição de cerca de 40% na última década. Este cenário deve-se, em grande parte, às tensões entre as grandes potências, e à gestão orçamental da Administração Trump. Contudo, a China tem mantido um foco contínuo nas operações de paz, reafirmando a sua política iniciada nos anos 90, que merece ser analisada.

De um papel secundário, a China transformou-se no principal contribuinte para as operações de paz da ONU, combinando a presença militar com apoio financeiro e logístico. Enquanto os Estados Unidos se limitam a financiar as operações, a China vai além, enviando tropas e polícias. Esta abordagem distinta reflete os objetivos estratégicos de Pequim, que procura consolidar o seu estatuto como grande potência, projetando uma imagem de responsabilidade internacional.

A política externa da China combina multilateralismo com ações bilaterais, especialmente em África, onde se concentram muitos dos seus interesses económicos e de segurança. A cooperação no âmbito da ONU, através das operações de paz, serve como uma plataforma para fortalecer a cooperação bilateral fora da organização. A China tem evoluído de um apoio a movimentos de libertação nacional para um envolvimento mais abrangente, com a participação em missões de paz.

A contribuição da China para as operações de paz da ONU começou em 1990, com o envio de observadores militares. Desde então, a sua participação tem crescido exponencialmente, passando de 100 militares em 2000 para mais de 1.600 em 2026. A China é agora o oitavo maior contribuinte de tropas para as operações de paz da ONU e o segundo maior financiador, contribuindo com 18,7% do orçamento dedicado a estas operações.

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Além disso, a China mantém uma força de prontidão com 8.000 efetivos, prontos para serem enviados rapidamente para zonas de conflito. Com mais de 50.000 capacetes azuis a terem participado em 29 operações de paz, a China tem demonstrado um compromisso sólido com a segurança global.

Fora do âmbito da ONU, a China tem adotado uma abordagem cautelosa, focando-se no treino e capacitação de forças africanas, alinhando as suas ações com os seus interesses económicos. A cooperação com a União Africana tem sido significativa, com a China a financiar a construção da sede da UA e a apoiar missões de paz em várias regiões africanas.

A iniciativa “China-África Parceria para a Paz e Segurança”, lançada em 2012, visa fortalecer a colaboração em áreas de paz e segurança, refletindo o compromisso da China com a estabilidade no continente africano. Este envolvimento é uma parte crucial da estratégia da China para aumentar a sua influência no Sul Global.

Em suma, a crescente participação da China nas operações de paz da ONU não é apenas uma questão de responsabilidade internacional, mas também uma estratégia para reforçar a sua posição global. A abordagem da China contrasta com a dos Estados Unidos, que têm mostrado ceticismo em relação à eficácia das operações de paz da ONU. A China, por outro lado, utiliza estas operações como um catalisador para uma cooperação mais ampla, demonstrando um compromisso com o multilateralismo e a integração africana.

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Fonte: Sapo

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