Burocracia limita competitividade da indústria em Portugal

Mais de 200 líderes empresariais reunidos em Guimarães alertaram que a burocracia e a regulamentação excessiva estão a travar a competitividade da indústria em Portugal. Este foi um dos principais pontos discutidos na segunda edição do Innovation Forum, promovido pelo PIEP – Pólo de Inovação em Engenharia de Polímeros, que teve lugar no Teatro Jordão.

Os participantes do fórum, que incluíram representantes de empresas, academia, centros de tecnologia e inovação, bem como responsáveis governativos, concluíram que a burocracia limita a capacidade de resposta das empresas num ambiente global em rápida transformação. As mudanças tecnológicas, geopolíticas e económicas exigem uma agilidade que a atual regulamentação não permite.

Apesar destes constrangimentos, os participantes destacaram a existência de um “ecossistema de inovação robusto” em Portugal. Este ecossistema é sustentado pela colaboração entre empresas, universidades e entidades públicas. O fortalecimento da integração de toda a cadeia de valor, incluindo micro e pequenas empresas, e a aposta na especialização foram identificados como fatores cruciais para acelerar a transferência de conhecimento para a economia.

Bruno Silva, diretor de Public Affairs e Sustentabilidade do PIEP, sublinhou que, embora Portugal tenha um ecossistema de inovação de excelência, o verdadeiro desafio reside em transformar esse potencial em maior competitividade da indústria, mais investimento e mais valor para a economia nacional.

O setor automóvel foi destacado como um dos pilares das exportações e da criação de emprego qualificado. Além disso, a defesa foi identificada como uma grande oportunidade estratégica, especialmente num contexto que exige um reforço da autonomia industrial na Europa.

Entre os exemplos de inovação apresentados no fórum, destacaram-se os drones da Tekever, desenvolvidos para missões civis e militares, o veículo BEN do CEiiA e as soluções do PIEP para o Einstein Telescope, uma futura infraestrutura científica do CERN. A sustentabilidade e a economia circular também foram temas centrais, com empresas dos setores da alimentação, bebidas e grande distribuição a partilharem casos de sucesso na incorporação de materiais reciclados.

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O evento contou com a participação de entidades como Bosch, Continental, NOS, Tekever, CEiiA, MC Sonae, Jerónimo Martins, IKEA, Super Bock Group, Universidade do Minho e CCDR NORTE. As conclusões do encontro servirão de base para a construção de um “roadmap de inovação para a indústria portuguesa”, com o objetivo de acelerar a sustentabilidade e posicionar Portugal na reindustrialização europeia.

Leia também: O impacto da inovação na competitividade das empresas.

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Fonte: Sapo

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