O 13º Fórum do Banco Central Europeu (BCE) decorreu em Sintra, onde as autoridades monetárias europeias e norte-americanas discutiram a atual situação económica. Christine Lagarde, presidente do BCE, reafirmou a importância da estabilidade de preços, enquanto Kevin Warsh, novo presidente da Reserva Federal dos EUA, elogiou a sua abordagem. Apesar de não terem dado sinais claros sobre o futuro da política monetária, ambos os banqueiros centrais concordaram que a luta contra a inflação continua a ser uma prioridade.
Lagarde destacou que a decisão de aumentar as taxas de juros em junho foi apropriada, sublinhando que as condições económicas eram favoráveis. No entanto, o BCE decidiu abandonar a prática de forward guidance, optando por uma abordagem mais transparente. “O que fazemos agora é informar os participantes de mercado como chegamos à nossa decisão”, afirmou Lagarde, referindo-se a esta nova estratégia como “orientações de enquadramento”.
Warsh, que fez as suas primeiras declarações públicas como presidente da Fed, também partilhou a sua visão sobre a política monetária. Ele reconheceu que, no passado, houve uma tendência de “alimentar à mão” os mercados, mas agora a situação é diferente. O foco da Fed permanece na inflação, que continua elevada. “Estamos no ramo da estabilidade de preços, ainda que esse não seja o nosso único ramo”, disse Warsh.
Durante o painel, Lagarde foi questionada sobre o risco de estagflação na zona euro. Ela afastou essa possibilidade, afirmando que a economia está a funcionar bem, com níveis de desemprego historicamente baixos. “A estagflação é um conceito dos anos 70. Estamos a tomar todos os passos para assegurar a estabilidade de preços”, garantiu.
O Fórum terminou com a divulgação de dados sobre a inflação na zona euro, que surpreenderam positivamente. A inflação homóloga de junho ficou em 2,8%, abaixo das expectativas de 3%. Este abrandamento, especialmente na componente energética, é uma boa notícia para o BCE, que se reúne novamente a 22 e 23 de julho, com a expectativa de manter os juros inalterados.
Warsh e Lagarde não só partilharam as suas visões sobre a política monetária, mas também deixaram claro que a independência dos seus bancos centrais não está em causa. “Somos um banco central independente há muito tempo e vamos continuar a sê-lo”, afirmou Warsh, tranquilizando os mercados sobre a sua postura.
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Fonte: Sapo





