A cimeira da NATO, realizada em Ancara, foi marcada por uma série de anúncios significativos que totalizam mais de 50 mil milhões de dólares em contratos de defesa. O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, havia prometido que o evento seria uma oportunidade para a indústria de defesa dos aliados, tanto europeus como canadenses, e cumpriu com a expectativa. Os investimentos abrangem áreas como vigilância aérea, capacidades anti-drones, mísseis e satélites, refletindo um compromisso crescente com a segurança militar.
Um dos destaques foi a atribuição de 570 milhões de euros em ajuda militar à Ucrânia, proveniente do Canadá. Além disso, o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o levantamento de sanções à Turquia, sugerindo a possibilidade do país voltar a integrar o programa dos F-35. O secretário-geral da NATO chegou a Ancara com a missão de demonstrar que os aliados estavam a cumprir os compromissos de gastos em defesa, estabelecidos em junho do ano passado, em Haia. O objetivo é que, até 2035, o investimento em defesa atinja 5% do PIB.
A tensão entre os EUA e os aliados sobre o contributo financeiro para a NATO foi evidente, com Trump a criticar a disparidade entre os gastos dos EUA e os de outros países. Apesar de um aumento de 20% nos gastos militares dos aliados europeus e do Canadá no ano passado, as previsões para este ano indicam um crescimento mais modesto, com um total estimado de 634 mil milhões de dólares.
Os aliados europeus e o Canadá alcançaram gastos militares de 2,53% do PIB, ligeiramente acima dos 2,31% previstos para 2025. Países como Polónia, Lituânia e Grécia já atingiram a meta dos 5% do PIB em gastos com defesa. Os Estados Unidos, por sua vez, devem manter um nível de 3,17%.
Entre os contratos de defesa anunciados, destaca-se um investimento de 40 mil milhões de dólares em capacidades anti-drones, que inclui um compromisso para treinar cinco vezes mais operadores de drones até 2027. O projeto, denominado “Drone Edge initiative”, visa aumentar as capacidades de treino da NATO em drones, com a participação de 20 países aliados.
Na área da vigilância aérea, a NATO anunciou a aquisição de até 10 aviões GlobalEye da Saab, num negócio que pode alcançar 4,5 mil milhões de dólares. Esta aquisição visa substituir os antigos AWACS da Boeing, que estão a chegar ao fim da sua vida útil. O primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, confirmou que França e Canadá se juntarão à operação dos GlobalEye a partir de 2027.
No que diz respeito ao reabastecimento aéreo, a NATO anunciou a adição de um décimo Airbus A330 MRTT à sua frota, com a Finlândia a integrar a iniciativa que já conta com nove países. O secretário-geral da NATO elogiou a colaboração multinacional, destacando a importância de manter a força aérea da aliança.
A cimeira também abordou a expansão das capacidades espaciais, com o lançamento de um programa que envolve a criação de uma rede conjunta de satélites militares. Este projeto, denominado HALO, visa melhorar a comunicação e o rastreamento de mísseis, superando as limitações dos sistemas individuais de cada país.
Além disso, a NATO procura desenvolver munições e mísseis que sejam compatíveis entre os países membros, com um investimento total estimado em 1,6 mil milhões de dólares. A cimeira em Ancara não só reforçou o compromisso dos aliados com a defesa, mas também destacou a importância da colaboração transatlântica em tempos de crescente incerteza global.
Leia também: O impacto dos investimentos em defesa na economia global.
contratos de defesa contratos de defesa contratos de defesa Nota: análise relacionada com contratos de defesa.
Leia também: Excedente orçamental dos municípios atinge máximo desde 2019
Fonte: ECO





