O Fundo Monetário Internacional (FMI) emitiu um alerta sobre o crescente entusiasmo em torno da inteligência artificial (IA) e os potenciais riscos que isso representa para a economia global. Embora a IA esteja a desempenhar um papel crucial ao impulsionar investimentos, produtividade e crescimento, o FMI adverte que a euforia pode levar a expectativas excessivas nos mercados financeiros, criando um ambiente propenso à instabilidade.
Na atualização das projeções económicas mundiais, o FMI sublinha que o investimento elevado em IA tem ajudado a mitigar os efeitos negativos da guerra no Médio Oriente na economia. A procura por centros de dados, semicondutores e infraestruturas tecnológicas está a sustentar o investimento privado, beneficiando as economias que estão mais integradas nas cadeias globais de valor da tecnologia.
No entanto, a instituição financeira também aponta que o entusiasmo em torno da inteligência artificial pode estar a inflacionar as avaliações dos mercados a níveis difíceis de justificar. “O entusiasmo em torno da inteligência artificial e a exuberância dos mercados financeiros podem lançar as bases para uma instabilidade macrofinanceira”, afirma o relatório.
O FMI sugere que, se o investimento em IA resultar numa adoção mais rápida da tecnologia e em ganhos de eficiência, o crescimento económico a médio prazo poderá ser mais robusto do que o previsto. Para que esses benefícios sejam sustentáveis, é crucial que sejam implementadas políticas que reduzam constrangimentos em áreas como energia e infraestruturas, além de garantir o acesso a matérias-primas essenciais e facilitar a transição de trabalhadores entre setores.
Por outro lado, o FMI também alerta para os riscos negativos. As expectativas em relação à rentabilidade e aos ganhos de produtividade associados à IA podem ser revistas em baixa, levando a uma possível retração abrupta do investimento nos setores mais tecnológicos. Isso poderia resultar numa correção acentuada das valorizações das ações, especialmente nas economias que dependem fortemente da tecnologia.
Além disso, a reavaliação dos preços dos ativos poderá ser exacerbada por uma maior sensibilidade ao risco dos investidores expostos à inteligência artificial. Este cenário poderá afetar o consumo privado, resultando em um efeito de riqueza que se propagaria além-fronteiras, através das ligações comerciais e dos fluxos de capitais. Em última análise, isso poderia agravar as condições financeiras globais, pressionar os balanços das empresas e instituições financeiras e enfraquecer a atividade económica em setores além do tecnológico.
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Fonte: ECO





