Portugal é um dos poucos países da União Europeia onde o impacto do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) na política orçamental é significativo. De acordo com um estudo recente da Direção-Geral dos Assuntos Económicos e Financeiros da Comissão Europeia, o país ocupa a segunda posição, apenas atrás da Grécia, com uma contribuição superior a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano.
Este estudo, assinado por Igor Fedotenkov e Anneleen Vandeplas, analisa o impacto dos orçamentos nacionais e da União Europeia na economia, com foco especial no período de 2025 a 2027. Os economistas sublinham que, à medida que os fundos do PRR entram na fase final de execução, Portugal continuará a beneficiar de um impulso orçamental considerável.
Em termos de orientação orçamental, a análise revela que 11 países da Zona Euro deverão seguir uma abordagem expansionista, enquanto três manterão uma posição neutra e sete adotarão uma orientação contracionista. Entre os países com uma postura mais expansionista, Portugal destaca-se, com uma previsão de crescimento orçamental robusto. O documento afirma que “a despesa financiada por subvenções do Mecanismo de Recuperação e Resiliência (MRR) e por outros fundos da União Europeia deverá proporcionar um apoio orçamental de elevada qualidade à economia”.
Além de Portugal e Grécia, outros países como Eslovénia, Bulgária, Lituânia, Croácia e Eslováquia também se beneficiarão de contribuições significativas do PRR, que superam 0,5% do PIB. O investimento financiado por recursos nacionais, especialmente na defesa, deverá continuar a ser um motor de crescimento, embora a despesa corrente líquida possa ter um efeito contracionista em algumas nações.
À medida que 2027 se aproxima, os autores do estudo preveem que a maioria dos países da Zona Euro adotará uma orientação orçamental contracionista, refletindo o fim do apoio do MRR. As orientações orçamentais poderão variar entre uma contração de 1,6% do PIB na Bulgária e uma expansão de 0,9% no Luxemburgo.
Os dados apresentados serão discutidos na reunião dos ministros do Eurogrupo, onde se espera que as recomendações sobre a posição orçamental para o próximo ano sejam um dos principais tópicos. Os economistas alertam que, para 2027, muitos países deverão considerar medidas de consolidação orçamental, uma vez que a despesa líquida poderá exceder as taxas máximas de crescimento recomendadas.
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Fonte: ECO





