O sistema de exames nacionais em Portugal enfrenta novos desafios. O Eduqa, responsável pela avaliação, implementou um mecanismo que permite aos professores reportar desconformidades durante a correção das provas. Esta iniciativa surge em resposta a preocupações levantadas pelo movimento Missão Escola Pública, que denunciou que os docentes deveriam avaliar as respostas incompletas como estão.
De acordo com o Eduqa, as orientações do Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação e do Júri Nacional de Exames não contemplam a situação descrita pelo movimento. A instituição esclareceu que, através do botão “Reportar”, os professores podem sinalizar eventuais problemas de forma centralizada. Esta medida visa garantir a normalização do processo de classificação, que tem sido alvo de críticas.
Cristina Mota, porta-voz do movimento, revelou que, em fóruns destinados a esclarecer dúvidas sobre a correção, os supervisores estão a instruir os docentes a atribuir notas mesmo quando faltam folhas nas provas. Um supervisor, confrontado com uma resposta incompleta, aconselhou um professor a aguardar a chegada da página em falta, mas se isso não acontecer, deveria classificar com os dados disponíveis. Esta orientação, embora dirigida a um docente, foi partilhada publicamente para evitar repetição de questões.
O ministro da Educação, Fernando Alexandre, anunciou que mais de 75% das provas já foram corrigidas e expressou confiança de que as pautas serão afixadas a 17 de julho. No entanto, diretores escolares manifestaram preocupação sobre o papel que terão no processo de disponibilização dos exames corrigidos aos alunos. Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, pediu esclarecimentos sobre como será operacionalizado o acesso aos exames, uma vez que esta é uma novidade no sistema educativo.
Este ano, cerca de 300 mil provas do 11.º e 12.º anos foram digitalizadas, e devido a problemas na correção, o Ministério da Educação decidiu que todos os alunos terão acesso às suas provas corrigidas. A uma semana da afixação das notas para cerca de 166 mil alunos, a pressão aumenta sobre a tutela para que forneça informações claras sobre o processo.
Filinto Lima também observou que, apesar de as queixas sobre a correção terem diminuído, ainda persistem problemas. Os professores encarregues da correção estão a enfrentar uma carga de trabalho elevada, o que levanta preocupações sobre o seu bem-estar. “Estes professores são também umas das grandes vítimas desta situação”, alertou Lima.
Em resposta a estas dificuldades, o porta-voz do PSD, Sebastião Bugalho, anunciou que os professores que estão a corrigir os exames nacionais receberão horas extraordinárias como reconhecimento pelo esforço adicional. O Ministério da Educação confirmou esta decisão, e os detalhes sobre o pagamento serão divulgados em breve.
Leia também: O que muda na avaliação dos exames nacionais este ano.
exames nacionais exames nacionais Nota: análise relacionada com exames nacionais.
Leia também: Professores orientados a avaliar exames com folhas em falta
Fonte: ECO





