O secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, exigiu hoje explicações a Luís Montenegro, líder do PSD, sobre as falhas nos exames nacionais. Em declarações feitas em Vieira do Minho, Carneiro criticou a gestão do processo, afirmando que Montenegro está a “trabalhar para ser um dos piores primeiros-ministros desde o 25 de Abril”.
O líder socialista sublinhou que a situação é “muito grave” para milhares de alunos e professores. “Neste momento, há professores de Matemática a receber provas de Português e vice-versa. Além disso, soubemos que foram dadas instruções para que mesmo provas incompletas sejam classificadas, o que configura uma fraude ao processo de avaliação”, denunciou Carneiro.
Durante o XXII Congresso Federativo do PS, Carneiro foi questionado sobre a proposta do PSD de compensar os professores com horas extraordinárias pelo esforço na correção dos exames. O secretário-geral do PS pediu a Montenegro que garantisse a fiabilidade do processo, destacando que “os professores não estão à venda”.
A polémica em torno da correção dos exames nacionais tem gerado inquietação, especialmente devido a falhas no sistema informático, levando o Governo a adiar a divulgação das notas e da segunda fase dos exames. Caso não haja esclarecimentos satisfatórios por parte de Montenegro, Carneiro não descarta a possibilidade de uma Comissão Parlamentar de Inquérito. “As circunstâncias são demasiado graves para milhares de famílias e alunos que se prepararam durante anos para este momento”, afirmou.
Carneiro também criticou a insensibilidade do primeiro-ministro, lembrando que Montenegro esteve no Mundial de Futebol enquanto o país enfrentava uma situação de alerta. “As famílias vivem momentos de angústia, e o primeiro-ministro responde a questões graves num festival de música. Isso diz muito sobre a sua insensibilidade”, frisou.
O líder do PS apelou a Montenegro para que “meta a mão na consciência” e compreenda a gravidade da situação que afeta milhares de professores e alunos. “Estamos a falar de um assunto de grande importância para a vida de muitos. O meu dever, como pai, é focar-me na realidade que estes alunos e professores enfrentam”, destacou.
O Governo prometeu divulgar as classificações dos alunos a 17 de julho, mas Carneiro alerta que muitos problemas permanecerão sem solução, especialmente no que diz respeito às candidaturas ao ensino superior. “A crise de confiabilidade no modelo de avaliação é evidente e o Governo está a varrer os problemas para debaixo do tapete”, concluiu.
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Fonte: Sapo





