Matosinhos desafia Portugal a acelerar a economia azul

A economia azul, que vai muito além da mera sustentabilidade, apresenta-se como uma oportunidade crucial para impulsionar a inovação e a competitividade em Portugal. Este conceito, que envolve a utilização sustentável dos recursos marinhos, foi o tema central da conferência “Matosinhos e a Nova Economia do Mar”. O evento contou com a presença de representantes do poder local, empresas, centros de investigação e da indústria, todos unidos pelo objetivo de transformar o potencial da economia azul em ação concreta.

Luísa Salgueiro, presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, destacou a importância de retomar o projeto do futuro Centro Europeu de Biotecnologia Azul, que está previsto para os terrenos da antiga refinaria da Galp. “Este é um tema demasiado importante e trabalhado para estar sem conclusão”, afirmou, sublinhando que a infraestrutura representa uma oportunidade significativa para a Europa.

Álvaro Sardinha, fundador e CEO do C2EA – Centro de Competência em Economia Azul, abordou a necessidade de uma liderança eficaz na implementação da economia azul. Para ele, o maior desafio reside na capacidade de mobilizar pessoas e organizações, enfatizando a importância de uma estratégia que envolva, eduque e empregue. A descarbonização, alinhada com os objetivos da União Europeia, é um dos pilares desta transformação.

Manuel Tarré, CEO da Gelpeixe, partilhou como a sua empresa tem integrado a sustentabilidade nas suas operações, incluindo a eletrificação da frota de camiões com motores de frio elétricos, uma solução que promete um retorno em quatro a cinco anos. A responsabilidade pela transição para uma economia azul deve ser partilhada entre o setor privado e as instituições públicas, conforme alertou Pedro do Ó Ramos, presidente da Administração dos Portos de Sines e Algarve. Ele destacou que o atual modelo de taxação das emissões de carbono pode prejudicar a competitividade dos portos nacionais.

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O financiamento de startups também foi um tema abordado, com Isabel Carneiro Kahlen, da Morais Leitão, a afirmar que o investimento neste setor tem vindo a crescer, especialmente com o surgimento de business angels em Portugal. “No último ano, vi uma expansão fenomenal”, disse.

José Pinheiro, country manager Southern Europe da Ocean Winds, defendeu que Portugal tem uma “oportunidade enorme” para promover a economia azul como motor de crescimento. Ele sublinhou a necessidade de uma estratégia mais coordenada a nível ibérico para maximizar os resultados.

Marisa Lameira da Silva, diretora-geral de Política do Mar, reforçou que o mar deve ser visto como um espaço de regeneração e inovação. O valor acrescentado bruto da economia azul tem crescido acima da média nacional, provando que é possível conciliar crescimento económico com sustentabilidade. “A economia azul sustentável já não é uma ideia abstrata”, afirmou.

Miguel Marques, CEO da Skipper & Wool, destacou Matosinhos como um polo importante da economia do mar em Portugal, defendendo que o investimento paciente é essencial para projetos ligados à biotecnologia azul. Ele anunciou a entrega de 18 pacotes de produtos desenvolvidos no âmbito do Pacto da Bioeconomia Azul, que mobilizou 139 milhões de euros em investimento.

A conferência também abordou a necessidade de proteger os recursos marinhos, com Paulo Machado, administrador da Ramirez, a alertar para a importância da monitorização e da gestão eficiente. “Só uma gestão mais eficiente permitirá assegurar a sustentabilidade da atividade económica ligada ao mar”, concluiu.

Leia também: O impacto da economia azul na sustentabilidade em Portugal.

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Fonte: ECO

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