Em junho, a China alcançou um marco significativo ao exportar mais de um milhão de automóveis num único mês, consolidando assim a sua posição de liderança no setor automóvel a nível mundial. De acordo com a Administração-Geral das Alfândegas da China, foram exportados 1,06 milhões de veículos, um aumento impressionante de 71,2% em comparação com o mesmo mês do ano anterior.
Se este ritmo se mantiver, a China poderá ultrapassar a marca dos 10 milhões de veículos exportados em 2023, um número que supera os 7,1 milhões registados em 2022 e mais do dobro dos 4,9 milhões de 2021. Este crescimento nas exportações automóveis contribuiu para um aumento global de 27% nas exportações chinesas em junho, que também se refletiu num crescimento das importações de 36%.
O excedente comercial da China atingiu 576 mil milhões de dólares (cerca de 505 mil milhões de euros) no primeiro semestre do ano, embora tenha registado uma queda de 4,7% em relação ao mesmo período do ano passado. O vice-diretor do Gabinete Nacional de Estatísticas, Wang Jun, atribuiu o crescimento das exportações de veículos elétricos à crescente transição global para uma economia de baixo carbono, destacando a procura crescente por produtos verdes.
Além dos automóveis elétricos, as exportações de baterias de lítio e turbinas eólicas também registaram aumentos significativos, com crescimentos de 37,6% e 35,6%, respetivamente, no primeiro semestre. No entanto, as exportações de terras raras caíram 34% em junho, devido ao reforço dos controlos à exportação destes minerais essenciais para a alta tecnologia.
As importações chinesas foram impulsionadas pela procura de semicondutores, com a China a importar 53,7 mil milhões de circuitos integrados em junho, um aumento de 6,8% em relação ao ano anterior, elevando o crescimento acumulado no semestre para 8,1%.
Este aumento nas exportações automóveis ocorre num contexto de abrandamento das vendas no mercado interno, após a redução dos incentivos à compra de veículos elétricos e a diminuição da procura por automóveis com motor de combustão. Como resultado, muitos fabricantes, tanto chineses como estrangeiros, estão a redirecionar uma parte crescente da sua produção para os mercados externos, o que levou à imposição de tarifas adicionais pela União Europeia sobre os veículos elétricos fabricados na China.
As autoridades chinesas têm rejeitado as acusações de subsídios desleais, afirmando que a competitividade do setor resulta da inovação tecnológica e das economias de escala. Entre os principais fabricantes, a BYD destacou-se ao vender 175 mil veículos no estrangeiro em junho, um aumento de 95% em relação ao ano anterior, com as vendas internacionais a representarem um recorde de 43% da sua produção.
A Geely também teve um desempenho notável, exportando pela primeira vez mais de 100 mil veículos num único mês, com 102.874 unidades vendidas, um aumento homólogo de 157%. A Chery, por sua vez, exportou 191.062 automóveis em junho, um crescimento de 80% em relação ao ano anterior, estabelecendo um novo máximo mensal entre os fabricantes chineses.
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Fonte: Sapo





