Câmara de Odemira investiga obras em imóvel do ministro Luís Neves

A Câmara Municipal de Odemira, localizada no distrito de Beja, anunciou que está a investigar a legalidade das obras realizadas num imóvel do ministro da Administração Interna, Luís Neves, na freguesia de São Teotónio. Em resposta a perguntas da agência Lusa, a autarquia esclareceu que “não está em curso qualquer processo de licenciamento ou comunicação de obras nos prédios” daquela freguesia.

Face a suspeitas de “operações urbanísticas irregulares”, a Câmara de Odemira está a tomar as medidas necessárias para apurar a situação. O município afirmou que “está a proceder em conformidade para verificar a legalidade destas operações urbanísticas” no local em questão.

Na mesma comunicação, a autarquia garantiu que “tratará deste assunto de acordo com os trâmites legais para casos desta natureza”. A situação ganhou destaque na última sexta-feira, quando o semanário Nascer do Sol noticiou que Luís Neves contratou uma empresa, a Construbarcelos, para remodelar o seu imóvel em Odemira. Esta empresa já tinha sido responsável por obras na Polícia Judiciária (PJ) durante o período em que Neves era diretor nacional.

De acordo com a publicação, entre 2020 e 2025, a Construbarcelos recebeu cerca de 1,9 milhões de euros em contratos públicos, um valor que foi confirmado pelo próprio ministro em entrevista à TVI/CNN. Em resposta a esta situação, Manuel Matias, vereador do Chega na Câmara de Odemira, apresentou um requerimento para convocar uma reunião extraordinária do executivo municipal, de forma urgente, para discutir o caso.

No seu pedido, Matias fundamentou a urgência com a “gravidade das notícias” sobre as “obras realizadas na residência” do ministro. O vereador expressou a necessidade de “transparência e apuramento de responsabilidades”, além de querer avaliar se existem implicações para o município de Odemira em relação a contratos e procedimentos administrativos.

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Luís Neves, questionado sobre a situação, esclareceu que durante mais de 70% do tempo em que a empresa trabalhou para a PJ, ele ainda não conhecia o empreiteiro. O ministro revelou que a contratação surgiu após pedir uma opinião técnica a um amigo, que acabou por ser o escolhido para realizar as obras.

Neves afirmou estar de consciência tranquila e garantiu que não houve favorecimento no preço da empreitada. Ele está disponível para apresentar as faturas, que estão registadas no e-faturas e declaradas à Autoridade Tributária, embora não o tenha feito ainda por falta de oportunidade. As obras em questão incluem “uma parede, uma casa de banho e um alpendre”, com um custo estimado entre “20 mil e 30 mil euros”, a ser liquidado após a conclusão dos trabalhos.

Quando questionado se se arrepende da contratação, Luís Neves respondeu que, “sabendo o que sabe hoje, naturalmente o percurso teria sido diferente, sem nunca renegar a amizade”.

Leia também: “Transparência nas obras públicas: um desafio constante”.

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Fonte: ECO

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