A China, que outrora era conhecida como a “Fábrica do Mundo”, transformou-se numa potência temida no Ocidente, especialmente pela sua rápida ascensão em áreas de tecnologias avançadas. Um estudo independente da Australian Strategic Policy Institute (ASPI) revela que, das 74 tecnologias críticas analisadas, a China domina 66, enquanto os Estados Unidos controlam apenas 8. Este domínio estende-se a diversos setores, incluindo a energia, onde a China mantém uma posição esmagadora.
O sucesso da China baseia-se num trabalho técnico e científico contínuo, caracterizado por uma visão de longo prazo. O país não se limita a realizar estudos, mas implementa estratégias de forma dinâmica, adaptando-se às mudanças no contexto global. Apesar de alguns desafios, como a crise no setor imobiliário, a China continua a avançar em várias frentes.
Em maio de 2026, a capacidade instalada de geração de energia na China atingiu 4.010 GW, um número que impressiona e supera a soma da capacidade dos EUA, União Europeia, Índia, Japão e Rússia. Este crescimento é acompanhado por um aumento significativo na produção de energia limpa, que passou de 25% em 2010 para 62% atualmente. A China investe em equipamentos de energia renovável, tornando-se um líder global na produção de tecnologia avançada.
A tendência futura aponta para uma crescente clivagem entre a China e os EUA, especialmente no que diz respeito à instalação de novos reatores nucleares e à capacidade de energia eólica e solar. A China está a desenvolver um ambiente competitivo em Inteligência Artificial, que exige um elevado consumo de energia e uma base industrial robusta. As empresas tecnológicas americanas estão a buscar parcerias e investimentos para garantir o fornecimento de eletricidade, numa tentativa de conter o avanço chinês.
Além disso, a China forma anualmente mais engenheiros do que qualquer outro país, e a repatriação de quadros altamente especializados dos EUA está a fortalecer ainda mais a sua posição. A estrutura industrial chinesa, que inclui a fileira das terras raras, permite uma rápida padronização e produção em massa, colocando o país numa posição vantajosa em termos de custos e prazos de fabrico.
A competição no campo da Inteligência Artificial entre a China e os EUA está a intensificar-se, com a China a organizar-se para produzir vários reatores nucleares em simultâneo. Este cenário antecipa desafios significativos até 2035, com muitos analistas a preverem que a hegemonia ocidental pode estar em risco. Para a China, 2049 é uma data simbólica, marcando o centenário da fundação da República Popular da China e um objetivo estratégico para consolidar a sua posição global.
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Fonte: Sapo





