Decisões rápidas nas organizações dependem da preparação

Na recente Conferência .IA, realizada no Centro Cultural de Belém, Jorge Portugal, diretor-geral da COTEC Portugal, destacou que o principal obstáculo à adoção da inteligência artificial (IA) nas organizações pode não residir na tecnologia ou nas competências, mas sim na forma como as decisões são tomadas. Segundo Portugal, as organizações que conseguem tomar decisões rápidas são aquelas que investiram tempo na preparação do seu processo decisório.

“Durante muito tempo, acreditei que o problema era a lentidão na tomada de decisões. Hoje, percebo que as organizações que decidem rapidamente são aquelas que definiram previamente a sua arquitetura de decisão”, afirmou. Esta arquitetura é fundamental, pois estabelece os limites e os riscos admissíveis, especialmente em situações de pressão, onde a qualidade do julgamento pode ser comprometida.

Para ilustrar este conceito, Jorge Portugal recorreu à famosa decisão de Niki Lauda de abandonar o Grande Prémio do Japão de 1976, onde a segurança foi priorizada em detrimento da competição. Lauda reconheceu que o nível de risco que aceitara tinha sido ultrapassado, evidenciando a importância de ter uma estrutura de decisão clara.

Em contraste, Portugal mencionou o funcionamento de uma equipa moderna de Fórmula 1, onde a IA e a análise de dados em tempo real permitem decisões mais informadas e rápidas. “A inteligência é agora abundante, mas a experiência continua a ser escassa. É a experiência que transforma informação em julgamento”, sublinhou.

O diretor-geral da COTEC também referiu que uma organização deve ser vista como um “sistema cognitivo”, onde o conhecimento, as normas e a tecnologia trabalham em conjunto para um objetivo comum. “As organizações existem porque nenhum indivíduo consegue compreender sozinho toda a complexidade do mundo”, afirmou.

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Contudo, mais inteligência não garante melhores decisões. Portugal fez uma analogia entre o computador HAL 9000, do filme “2001: Odisseia no Espaço”, e a decisão de Lauda, destacando que otimizar processos não é o mesmo que saber quando parar. “A era da IA surge quando a decisão é distribuída entre pessoas, dados e algoritmos, mas o alinhamento com o propósito é o recurso mais escasso”, disse.

Nas empresas portuguesas, há uma tendência de confundir movimento com ação, onde mais reuniões e validações não resultam em decisões efetivas. “O movimento é a ilusão da ação. Muitas vezes, a organização movimenta-se, mas a decisão não avança devido à falta de uma arquitetura que transforme inteligência em escolha e ação”, explicou.

Jorge Portugal concluiu que as organizações não devem temer o risco, mas sim a incerteza, que leva ao adiamento das decisões. Ele deixou três ideias principais para os líderes empresariais: a IA torna a inteligência abundante; a arquitetura de decisão transforma essa inteligência em capacidade organizacional; e a liderança deve alinhar essa capacidade com o propósito da organização. Os gestores foram desafiados a refletir se as suas organizações estão preparadas para um mundo onde as decisões são tomadas em conjunto entre humanos e agentes inteligentes.

Leia também: Como a IA está a transformar o ambiente empresarial em Portugal.

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Fonte: ECO

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