Investimento de 129 milhões para aproveitamento hidroagrícola do Mira

O programa “Água Que Une” vai investir 129 milhões de euros até 2030 para modernizar o aproveitamento hidroagrícola do rio Mira, uma iniciativa apresentada por Macário Correia, presidente da AdP AQUA, durante o 8º Colóquio Hortofrutícola da Lusomorango, realizado em Odemira. Este projeto visa não só a reabilitação do sistema de rega, mas também a criação de uma interligação entre os sistemas de Alqueva e Mira, o que representa um investimento adicional de 27 milhões de euros.

A modernização do aproveitamento hidroagrícola do Mira inclui a reabilitação integral do sistema adutor da barragem de Santa Clara e a automação dos equipamentos de rega. Com estas melhorias, espera-se uma significativa redução de perdas de água, o que é crucial para a eficiência do sistema. Além disso, está previsto um investimento de 500 mil euros para estudar a viabilidade técnica de adaptação dos órgãos de libertação de caudais ecológicos na barragem de Santa Clara e Corte Brique.

Macário Correia sublinhou que a empresa tem um total de 294 medidas a implementar em todo o país, mas reconheceu que a execução de projetos ainda é limitada. “Outras ideias não têm projetos de execução nem avaliações ambientais, mas é bom que tenha existido essa estratégia e essa reflexão”, afirmou. O antigo autarca também expressou preocupações sobre a necessidade de decisões judiciais para a construção de novas barragens, destacando que “quem vai decidir as barragens que se vão fazer serão os tribunais”.

No painel “Produzir e Crescer com Ambição e Sustentabilidade”, Gonçalo Rodrigues, ex-secretário de Estado da Agricultura, elogiou o projeto no Mira como um “exemplo de sucesso”. Ele destacou a importância de criar coesão territorial e de garantir que todos os agricultores tenham acesso a recursos hídricos, enfatizando a necessidade de apoio político para estimular o desenvolvimento agrícola.

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José Calado, diretor regional do Alentejo do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, alertou para a complexidade da biodiversidade e a necessidade de um ordenamento do território que inspire confiança. Margarida Oliveira, presidente do INIAV, congratulou-se com o avanço do plano “Água Que Une”, sublinhando a importância da biotecnologia para a competitividade do setor agroalimentar.

A implementação do plano “Água Que Une” é vista como um passo crucial para o futuro do aproveitamento hidroagrícola em Portugal, garantindo que os agricultores tenham acesso a água de forma eficiente e sustentável. A estratégia não só visa a modernização das infraestruturas, mas também a formação e qualificação dos recursos humanos, um aspecto vital para o desenvolvimento do setor.

Leia também: O impacto das novas tecnologias na agricultura sustentável.

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Fonte: Sapo

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